Uma das coisas que mais gostava no trabalho do escritor Jonas Hassen Khemiri era que conseguia me identificar com os personagens dos livros dele, com um adolescente em “Ett öga rött”, ou com um rapaz em “Montecore”, ou com um outro rapaz em “Jag ringer mina bröder” depois de um atentado terrorista no coracão de Estocolmo. Mas nesse livro aqui eu não consegui encontrar uma entrada, um caminho de identificacão. Achei tudo tão distante, mesmo apesar de JHK continuar a escrever bem. Não, não gostei da história de um escritor que entrevista uma série de pessoas próximas a Samuel, um rapaz não muito interessante, mas que é o protagonista do livro (além do escritor em si) apesar de já estar morto. Ah… Não gostei. Uma pena. O título do livro poderia ser traduzido como “Tudo o que não me lembro”.

Lido em sueco.

“Bära barnet hem”

March 22, 2017

Livro da jornalista e escritora sueca Cilla Naumann cujo título em português seria “Trazer a crianca pra casa”, mais ou menos. O verbo “bära” em sueco também quer dizer “carregar”, o que de fato seria uma traducão mais exata. Bom, o livro é uma combinacão de ficcão e diário. Cilla Naumann adotou três criancas nascidas na Colômbia. O mais velho, Adam, 20 anos, entra em contato com sua mãe biológica com a ajuda do Facebook e viaja para Bogotá para encontrá-la. Cilla vai junto. Ela alterna como foi o encontro com a história fictiva Ana, uma moca órfã e que trabalha como empregada numa casa de família em Bogotá. Ana é totalmente dedicada à crianca pequena da família. O livro é sobre o desejo da maternidade, de quem é a mãe de verdade. Não é um dos melhores livros que li mas é muito bom.

Lido em sueco.

Li para o meu círculo de livros. Trata-se de um romance criminal, o que já indica que não é um livro para mim. Já li muitos romances desse tipo, há anos atrás, de fato já teve uma época em que só gostava de ler isso. Acho que agora cansei para todo o sempre. De qualquer forma, nesse livro, que não é de todo mal, fica-se sabendo sobre o protagonista, um policial meio sem rumo e com dependência química, e de como a vida passada dele influencia a violência que acontece em volta dele no presente. O título do livro pode ser traduzido como “O homem invisível de Salem”. Só que invisível só tem o nome. Não sei se o autor, Christoffer Carlsson, tinha como objetivo manter o leitor em suspense e não contar a identidade do malvadão, mas fica claro desde as primeiras páginas quem faz o quê, quando e com quem. Chato.

Lido em sueco.

“Barnbruden”

December 25, 2016

Um livro lido para o meu círculo de livros. Achei chatíssimo; tanto que fiz o que geralmente nunca faco: pulei grande parte do meio do livro e li o final pra saber como acabou. Bom, a história é sobre Hedvig Elisabeth Charlotta, uma princesa alemã que em 1774 chegou à Suécia para se casar com o príncipe Karl, irmão do rei sueco Gustav III. O título, que pode ser traduzido como “Noiva crianca”, diz respeito à idade de Charlotta: 15 anos. É um chamado romance histórico e é até interessante no início, mas depois fica MUITO repetitivo. Mesmo quando a autora, Anna Laestadius Larsson, inclui nesse seu primeiro livro uma história paralela, a de Johanna, ou chamada “Pottunge”, uma menina ainda mais jovem do que a princesa, no lado oposto da hierarquia daquela época: ela tinha como ocupacão limpar excrementos dos membros da família real. Bom, tem mais mas eu sinceramente acho totalmente not worth escrever sobre isso. Não recomendo.

Lido em sueco.

“Himmelsdalen”

August 28, 2016

Li esse título da escritora sueca Marie Hermanson para o meu círculo de livros e gostei muito. Sobre dois irmãos gêmeos, Max e Daniel. Um que dominava o outro completamente, por razões que leveram o dominador a acabar em Himmelsdalen, no meio dos alpes suícos. Fica-se sabendo da infância dos dois, de como a vida os separou. Mas o interessante é que o leitor sabe tanto quanto o irmão dominado, o que quer dizer, quase nada. E vai-se descobrindo pouco a pouco o que na realidade acontece, o que é Himmelsdalen? Quem são essas pessoas? Por quê elas estão aqui? O livro é um thriller da melhor qualidade. Daria um filme ótimo!

Lido em sueco.

“Smärtbäraren”

August 21, 2016

Gosto muito dos livros da escritora e terapeuta sueca Åsa Nilsonne. Ela descreve nesse aqui, um livro de ficcão, o caso de Ada Zach, uma jovem de 24 anos com uma capacidade incrível: ela pode se transportar do seu corpo para qualquer outro corpo e ajudar a pessoa. Ela trabalha numa clínica de cirurgia plástica e ajuda as clientes se livrar de problemas de peso, dores e até problemas psicológicos. Quando a cliente está saudável e em equilíbrio, Ada sai do corpo e a cliente pode ser operada. Aí um dia ela aceita uma cliente que parece fácil, mas não é. Mas o melhor do livro não é a história em si. Åsa Nilsonne não é uma escritora cujo estilo é fantástico. Ela escreve bem, claro, mas nada fora do comum. O que é legal aqui é que ela analisa a cliente, através dos comentários de Ada, e comenta como é incrível que as pessoas não oucam seus corpos e mentes, não tomem cuidado com sua saúde mental e física. Não, não é chato, é triste. Gostei muito do livro.

Lido em sueco.

Ah, essa mania nativa de ler livros com histórias criminais. Até eu gostava, pouco depois de me mudar pra cá, quando ainda estava aprendendo sueco. Mas agora cansei. Li esse livro para o meu circulo de livros e porque fui voto vencido. Os autores, os suecos Anders Roslund e Börje Hellström, até que são interessantes: Roslund é jornalista enquanto Hellström tem experiência própria de criminalidade e uso de drogas, mas está rehabilitado. Eles sempre escrevem romances criminais e levantam uma questão social. Nesse livro a discussão é sobre a pena de morte e o desejo de vinganca. O estilo é muito aberto e convidativo, o que ajuda a dupla a obter muito sucesso com seus livros. O protagonista é o comissário de polícia Ewert Grens (50-60 anos, vida pessoal infeliz, dedicado ao trabalho, bebe demais, fuma demais, come mal e é deprimido, típico personagem policial por aqui), lidera um time de investigacão que tenta colocar na cadeia John Schwartz, um canadense radicado na Suécia e que atacou violentamente um homem. Só que John Schwartz não é quem eles pensam.

Lido em sueco.