“Ingenbarnsland”

June 28, 2012

Adorei esse livro de Eija Hetekivi Olsson. Adorei. Conta a história de Miira, uma menina nascida na Suécia de pais finlandeses e que vive na base da pirâmide social sueca. Ela tem amigos/amigas que usam drogas, se prostituem e bebem muito. Miira é inteligentíssima porém revoltada, revoltada por que ninguém espera que ela vá se dar bem, ser alguém na vida, ser melhor que os meninos. Ela tem raiva da sua situação, faz besteiras homéricas, mas é uma força da natureza. Achei fascinante como Eija Hetekevi Olsson cria novas palavras pra descrever uma situação e como ela mostra a realidade de crianças pobres na Suécia de uma forma crua porém cheia de força. Adorei!

Lido em sueco.

Essa é a biografia do jogador de futebol sueco Zlatan Ibrahimovic, escrita pelo escritor David Lagercrantz. Na verdade, o que Lagercrantz fez foi escrever em primeira voz, como se Zlatan estivesse ditando o livro pra ele. Gostei do livro, apesar de achar o Zlatan um bobão. Mas, veja bem, ele é um bobão interessante: nascido e criado na Suécia de pais vindos como imigrantes durante a guerra que destruiu a antiga Iugoslávia nos anos 90, ele descreve uma infância em que “não sabia nada sobre os suecos” e só foi ao centro da cidade de Malmö, onde nasceu, aos 19 anos de idade. A vida toda ele passou no subúrbio de Rosengård, onde a população é quase totalmente composta por imigrantes. Ele conta sobre pobreza, violência, infelicidade e de como ele conseguiu chegar onde está (já jogou no Ajax, no Barcelona, na Juventus e no Inter de Milão, ganhou prêmios de melhor jogador e é goleador e é milionário). Gostei, mas achei muito “raso”, escrito para ser lido por rapazes e moças sem tradição de leitura e que, por isso, precisam de textos digeríveis. Não exatamente o meu cup of tea.

Lido em sueco.

O quarto livro do meu querido Jonathan Franzen que leio e continuo completamente apaixonada. Já li e escrevi sobre “The Corrections”, “How to be alone – Essays”, e, claro, “Freedom”. Nesse livro, cujo título no original é “The Discomfort Zone – A Personal History”, ele escreve sobre sua infância a adolescência, sobre o pai, a mãe, os irmãos mais velhos. Eu gosto de tudo, tudo, tudo. Não tenho capacidade de criticar o livro, apesar de achar chatíssimo o fato de Franzen ser apaixonado por observar pássaros, assunto ao qual ele devota o último capítulo do livro. Mas o que eu gosto no estilo do autor é a auto-ironia e a capacidade de descrever coisas difíceis de uma forma… (como é que posso descrever? Qual palavra usar? Não sei. Meu vocabulário em português está acabando…)… a única coisa que me vem à cabeça é “desarmada”.

Lido em sueco.

“Agaat”

June 10, 2012

Gostei muito desse livro da sul-africana Marlene Van Niekerk. No início achei o texto meio complicado, mas depois compreendi o ritmo, as mudanças de época e de vozes e fiquei fascinada com os personagens e a história. Milla, branca, dona de fazenda nos anos 50-60 na África do Sul, “adota” uma menina, Agaat, negra e pobre. Ela cuida de Agaat e descreve em seu diário como a menina se desenvolve, mas, ao mesmo tempo, ensina à menina a cuidar da casa, porque, claro que a menina nunca poderia ser filha dela! Várias coisas acontecem durante a história (mais de 700 páginas!) mas o centro de tudo é, sem dúvida, a relação fascinante entre Milla (patroa? mãe?) e Agaat (empregada? filha?). Tudo mal resolvidíssimo, como deve ser numa boa história de ficcão. Leia!

Lido em sueco.