"To Kill a Mockingbird"

December 30, 2006

A obra-prima de Harper Lee é, de fato, uma obra-prima. Devorei o livro, totalmente escrito no dialeto do sul dos Estados Unidos. Vi o mundo por intermédio dos olhos de Scout, uma menina de oito anos. Conheci seu pai, seu irmão, o amigo Dill (talvez inspirado no amigo de infância Truman Capote), a vizinhança, os parentes. Acompanhei as brincadeiras, a vida dos adultos, a escola, os mistérios diários e as “coisas da vida” que muitas vezes não fazem sentido pruma menina de oito anos.

Esse é um daqueles livros que me faz entrar numa bolha e me transfere no tempo. Se tivesse que falar inglês no meu dia-a-dia tenho certeza de que durante esses dias teria um sotaque muito peculiar. Esse é um livro sobre inocência, de como essa inocência se perde e de como pode ser restaurada. Um espetáculo. Adoro a apresentação da escritora, logo no início do livro:

“Harper Lee was born in 1926 in Monroeville, Alabama, a village that is still her home. She attended local schools and the University of Alabama. Before she started writing she lived in New York, where she worked in the reservations department of an international airline. She has been awarded the Pulitzer Price, two honorary degrees and various other literary and library awards. Her chief interests apart from writing are nineteenth-century literature and eighteenth-century music, watching politicians and cats, travelling and being alone.”

Lido em inglês.

"Almost French"

December 27, 2006

Devorei o livro de Sarah Turnbull. Bem escrito, interessante, leve, informativo e com muitas histórias engraçadas. Achei bacana descobrir, entre outras coisas, que minha viagem em encontrar meu lugar num país estranho é dividida por muitas pessoas que fizeram os mesmos tipos de escolhas que eu. E que encontraram mais ou menos as mesmas dificuldades que eu. Constatei ainda, que a Suécia é um paraíso se comparado com o mundo parisiense ultra-disciplinado. Nada como um pouco de perspectiva para dar nova energia ao ano novo que se anuncia. Senti falta, no entanto, de ler mais sobre os conflitos internos da escritora. Achei essa parte um pouco leve demais. Se bem que tenho a impressão de que um livro, para fazer jus à história, não precisa ser necessariamente pesado, cheio de elucubrações.

Lido em inglês.

"Fallen"

December 25, 2006

Meu deus, que chatice esse livro da Joyce Carol Oates. Está tudo lá, a fórmula de sempre: uma heroína/protagonista magricela, neurótica, capaz de se alienar completamente dos terrores de sua vida e sempre mantendo as aparências. Em outros livros, eu até que gostei. Mas, esse aqui foi difícil de aguentar. Gosto da maneira quase maníaca dela descrever a vida e os pensamentos dos personagens. Mas sinto que às vezes fica tudo too much. Li tudinho, até o meio. Aí comecei a pular. Primeiro palavras, depois frases, parágrafos, páginas e por fim, capítulos. Horrível.

Lido em sueco.

"Montecore: En unik tiger"

December 11, 2006

Tenho pena de quem não lê sueco. Isso porque “Montecore…” de Jonas Hassen Khemiri (JHK) é simplesmente genial. É, sem dúvida, o melhor livro que li esse ano. Nascido na Suécia de pai tunísio e mãe sueca, JHK cresceu ouvindo uma mistura de árabe, francês e sueco. Poderia ter dado muito errado, caso ele não tivesse talento. Mas, a combinação é maravilhosa. Ele escreve em sueco, só que num sueco novo, mais maleável, orgânico (pelo menos para mim, que tenho português como primeira língua). Ler esse livro foi uma experiência e tanto. Já tinha lido o primeiro livro de JHK, “Ett öga rött”, que também adorei. Mas esse segundo é simplesmente demais.

Abaixo a pequena resenha sobre o livro que escrevi em sueco: “Jonas Hassen Khemiris nya, “Montecore: en unik tiger” är den bästa boken jag har läst i år. Utan tvivel. Jag har även läst “Ett öga rött” och tycker att den var fantastisk. Men JHK blir bara bättre och bättre. “Montecore” är en resa genom Sveriges språk, traditioner och folk. Alla är med. Svennarna, rassarna, invandrarna och till och med de som inte platsar varken här eller där. Språket i “Montecore” är en resa i sig. Att läsa boken var att upptäcka svenskan på nytt, på ett mer deliciöst sätt. Läs den!” (Veja essa resenha no site Bokus.com)

Lido em sueco.