"Mig äger ingen"

May 26, 2007

O livro de Åsa Linderborg é uma autobiografia escrita depois da morte do pai, Leif. A obra conta a história dos dois e de como ele tomou conta dela depois que a mãe se separou do pai quando Åsa tinha quatro anos. Só que Leif, que nunca se recuperou da separação, era alcoolista.

Agora você pode pensar que o livro é simples e direto. Tipo “história-triste-de-menina-com-pai-alcoolista”. A diferença é que Åsa Linderborg conta a história dos dois com um enorme afeto pelo pai. A generosidade não diminuiu mesmo depois de ele ter começado a beber tão intensamente que parou de pagar o aluguel e quando ela, na sua adolescência, resolveu ir morar com a mãe (com quem sempre manteve contato) porque doia demais ver a decadência dele.

Åsa Linderborg é jornalista de cultura de um dos jornais mais vendidos da Suécia. Além de contar sua história familiar, Linderborg descreve a história das classes suecas. Os trabalhadores, os intelectuais, os políticos. Tudo isso visto por intermédio de um pai trabalhador e de uma menina que cada vez mais se parece e pensa como a mãe, uma intelectual comunista. Mas o mais impressionante: não há ódio no livro. Há, sim, claro, raiva adolescente de um pai tão amado mas que é incapaz de resolver sua vida de forma diferente, sem o álcool. Há raiva, não ressentimento. Não há egoismo, do tipo “olha o que você fez comigo”.

O livro é um banho de generosidade e de capacidade de enxergar os limites alheios, mesmo as limitações daqueles que crescemos considerando os seres mais perfeitos do planeta. Chorei quando acabei de ler. Vale muito a pena.

Lido em sueco.

Li duas vezes seguidas o livro de Jenny Diski, jornalista britânica de quase 60 anos e que ganha a vida como repórter de turismo e escritora. E sei que daqui a um tempo provavelmente farei várias releituras. A prosa dela é tão suave, cheia de informação e humor que me deixa feliz e muito inspirada. Esse livro é composto por textos sobre três viagens da autora, durante as quais ela paradoxalmente buscava a solitude e a imobilidade. Parece deprê, mas não é não. Aliás, morri de rir com muitos trechos do livro, que mistura passagens da vida de Diski com viagens dela à Nova Zelândia, a um cottage no meio do campo inglês, onde ela morou sozinha por dois meses, e à Lapônia sueca. Diski é daquelas que começa a descrever o dia em que resolveu sair para dar uma caminhada (apesar de ser uma pessoa avessa a exatamente isso, se mover) e que na estrofe seguinte escreve sobre a vida, a morte, escritores, filosofia etc. Fascinante.

Lido em inglês.

"Fågelbovägen 32"

May 3, 2007

Tava querendo ler o livro de Sara Kadefors desde que foi lançado. Isso porque conta a história de uma sueca que quer “ajudar” uma imigrante e acaba ela mesmo sendo ajudada pela moça de quem ela sentia tanta pena. Isso de “ajudar” alguém é uma coisa bem complicada. O livro é bom, me fez pensar. Me fez lembrar o “How to be good” do Nick Hornby. A protagonista, Karin, que tenta ajudar a imigrante, também é médica e quer ser uma “boa pessoa” assim como a Katie Carr de Hornby. Não gostei tanto do livro de Hornby, que achei chato e irritante. Desse daqui eu gostei um pouco mais, talvez porque tenha mais a ver com a minha realidade.

Lido em sueco.