"1984"

January 18, 1990

Li o clássico do George Orwell quando ainda mal era adolescente. Ainda me lembro: estava no colégio (Santo Inácio), tipo oitava ou sétima série e tínhamos uma feirinha de livros lá. Fomos no horário da nossa aula de português e, quando olhei o livro, a professora disse que era muito bom, que eu deveria comprar. Comprei (uma edição antiquérrima, toda amarelada, apesar do livro não ser usado) e acho que demorei uns anos pra lê-lo. Mas quando finalmente o fiz, descobri a maravilha que é o mundo pararelo de Orwell. Só que demorei alguns anos mais para entender a totalidade da crítica social dele. Quero muito ler “Animal Farm”.

Lido em português.

"Pé na Estrada"

January 3, 1990

Um dos melhores livros que li na vida. Jack Kerouac foi um dos criadores da onda beat, que varreu os EUA nos conservativos anos 50 e, sem dúvida, abriu caminho pros revolucionários anos 60. O livro, publicado em 1957, virou um clássico sobre liberdade, amor livre, loucura e vidas vividas até a última gota. Li por influência do meu pai, que me emprestou o livro. Agora quero comprá-lo e relê-lo no original, até pra me preparar pro filme, que Coppola produzirá e que Waltinho Salles dirigirá.

Lido em português.

"O Turista Acidental"

January 1, 1990

Um dos livros mais legais que li na vida, apesar de ser uma história não muito alegre. Anne Tyler escreve sobre Macon Leary que, por sua vez, escreve resenhas para viajantes que não gostam de viajar. Ele próprio é uma dessas pessoas que prefere a repetição de um cotidiano sem solavancos do que a vida normal. Mas há, claro, uma explicação pra isso. Não adiante se proteger da vida o tempo todo. O filme, com William Hurt e Geena Davis – que ganhou o Oscar por sua atuação como Muriel – é muito fiel ao livro e maravilhosamente sensível. Queria achá-lo em DVD pra tê-lo aqui em casa. Ganhei o livro de presente da minha analista, Sonia, em julho de 1989.

Lido em português.

"Servidão Humana"

January 1, 1990

Clássico de W. Somerset Maugham. Li esse livro quando ainda era meio criança, meio adolescente. E adorei. Me lembro que fiquei verdadeiramente curiosa em seguir a história do manco e órfão Philip Carey, criado pelo tio, o vigário de Blackstable, e sua esposa. Pra falar a verdade, não sou muito de ler esse tipo de livro, mas esse aqui me pegou de jeito. Tanto é que ele me acompanhou todos esse anos, e atráves do Atlântico, quando me mudei. Presente da mamãe em 1987.

Lido em português.

"A Casa dos Espíritos"

January 1, 1990

Um dos livros que mais adoro. Li a primeira vez quando tinha feito 15 anos e nunca mais me esqueci. Isabell Allende é uma escritora com a habilidade de tecer uma teia de histórias, onde ficamos presos, mais do que felizes, pulando de personagem pra personagem, de acontecimento pra acontecimento, achando tudo muito legal. Esse livro, em particular, é mágico. Quem não o tiver lido, não deve compará-lo com o filme, pra lá de medíocre, apesar da presença de Glenn Close. (Li esse livro em 1986. Como é impossível datar posts anteriores a 1990, todos os livros lidos antes desse ano ganharão a data de primeiro de janeiro de 90.) Presente da tia Alaíde e, recentemente, da Julia.

Lido em português.

"Dom Casmurro"

January 1, 1990

Li esse livro pro colégio, em setembro de 1987 (nessa época eu escrevia nas primeiras folhas de cada livro quando o lia). Me lembro que, mesmo bem jovem, gostei da trama, ao contrário de meus amigos, qeu acharam tudo muito chato. É claro, acho que ainda não conseguia entender a sofisticação de Machado de Assis, os subterfúgios puramente linguísticos pra fazer das escolhas de Capitu um dos segredos mais públicos da literatura brasileira. Mas, diz aí, ela traiu Bentinho ou não?

Lido em português.

"Vidas Secas"

January 1, 1990

Li esse livro na oitava série, o que deve ter sido em 1985 mais ou menos. Me lembro que achei o livro meio triste a princípio, mas me recordo também que me interessei pela história, até porque sempre vi muita televisão e Jornal Nacional era uma mania, de forma que sabia que a situação descrita por Graciliano Ramos acontecia naquele momento, no norte do país. Acho que eu ainda não estava equipada pra entender e gostar da narrativa de Graciliano, de Fabiano ou sequer de Baleia. Mas, como qualquer clássico, numa releitura a grandeza da história me apanhou em cheio. Fenomenal.

Lido em português.