”Järnålder”

July 15, 2016

Gosto muito dos livros do sul-africano J.M. Coetzee, que ganhou o Nobel de Literatura em 2003. Esse aqui, cujo título no original é “Age of Iron”, não é diferente. A história é a seguinte: Elizabeth Curren, uma senhora sul-africana branca, descobre que está com câncer incurável. Ela escreve uma carta (de despedida?) para a filha, já há anos morando nos Estados Unidos. Ela escreve sobre o seu dia-a-dia, mas também sobre o que acontece na África do Sul, que naquela época (o livro foi publicado pela primeira vez em 1990), vivia o ápice e o final do Apartheid. Elizabeth detesta o que acontece no seu país. Ela descreve como o filho adolescente de sua empregada negra é morto pela polícia e da revolta que sente pela impunidade total dos policiais assassinos e brancos. No início do livro, Elizabeth deixa um mendigo bêbado, Vercueil, vir morar na casa dela, o que é incompreensível assim de primeira. Mas essa parte da história mostra mais uma dimensão da vida dela: a solidão. Livro fantástico, tema pesadíssimo, mas com uma prosa fenomenal.

Lido em sueco.

“Tiggarflickan”

June 8, 2016

Livro da canadense Alice Munro, que ganhou o Nobel em 2013. Esse livro, cujo título original é “Beggarmaid”, foi lancado em 1978 e pode ser visto como um romance, mas também pode ser visto como uma colecão de dez novelas sobre Rose, uma moca de origem humilde de uma cidade pequena no Canadá. Seguimos Rose durante mais ou menos 40 anos, como ela estuda, se casa, se separa, vira mãe e desenvolve uma carreira. Mas o interessante aqui são os personagens e como Alice Munro desenvolve e descreve a vida existencial de Rose, de como ela pensa e reflete sobre a vida e suas relacões. Em pouquíssimas linhas de texto ganha-se uma imagem perfeita dos personagens, do ambiente onde vivem e de como vêem a vida. Sou fã! Mas admito que gosto mais quando é um livro cuja história pode se desenvolver; gosto menos de novelas, apesar de achar Alice Munro fantástica até quando escreve novelas diferentes. Sempre quero mais quando leio Alice Munro. Recomendo!

Lido em sueco.

O primeiro livro de Svetlana Aleksijevitj que li. Tinha lido sobre ela antes, sabia que escrevia livros baseados em entrevistas que fazia com veteranos e veteranas das muitas guerras que a União Soviética travou durante o século XX, mas nunca tinha lido um livro. Comprei esse depois que ela ganhou o Nobel. Gostei. Ela escreve às vezes em diálogo às vezes em texto corrido sobre as experiências terríveis de quem participou da guerra. Esse livro é feito com entrevistas realizadas com mulheres soviéticas, que participaram da luta armada na resistência ou no front, como soldados ou enfermeiras. E não é só guerra; as mulheres contam sobre vestidos, paixões, sapatos e como a vida ficou depois da guerra. Muito interessante. Pesado, mas interessante.

Lido em sueco.

“Lilla smycket”

February 5, 2015

Mais um do autor francês Patrick Modiano. Toda vez que leio algum livro de Modiano, livros curtos e com uma linguagem direta e sem excessos, é como se ficasse em silêncio internamente. É como se precisasse ficar em silêncio pra poder escutar a voz desse escritor, que susurra as historias mais incríveis no meu ouvido. Quer dizer, se eu conseguir ficar tranquila o suficiente para ouvir o que ele tem a dizer. Esse livro é sobre essa moca, antes chamada Lilla Smycket (Pequena jóia, mais ou menos), e que procura pela mãe pelas ruas de Paris. Ai, coitada. Tão bonito e tão triste. Um livro que deixa um eco de tristeza dentro da gente.

Lido em sueco.

“Dora Bruder”

December 27, 2014

O primeiro do francês Patrick Modiano que li. Ele era um desconhecido para mim até o Comitê do Nobel premiá-lo com o Nobel de literatura desse ano. Gostei do livro, que conta a história das buscas de Modiano por pistas sobre a menina Dora Bruder, desaparecida durante a segunda guerra mundial em Paris. Os pais dela colocaram um anúncio num jornal francês nos anos 40 procurando pela filha. Modiano viu o anúncio muitos anos depois e, durante nove anos, seguiu os passos de Dora, dos pais dela e de outras pessoas, contemporâneas. Ele conta um pouco da sua própria história no meio do texto. Fiquei imaginando a razão dele ter ficado obcecado com esse anúncio. Talvez ficou comovido pelo cuidados dos pais, dois judeus que arriscaram muito para procurar pela filha, enquanto ele, Modiano, nunca teve esse tipo de cuidados dos pais. O tom é melancólico.

Lido e m sueco.

Primeiro do José Saramago que leio. Espetacular. Volta e meia me pego pensando no livro, no enredo, no desespero das pessoas que, de repente, sem mais nem menos, ficam cegas. Gosto de como Saramago descreve a decadência da sociedade, das pessoas, do mundo em geral. Como tudo – ou quase tudo – depende da visão. Fiquei angustiada durante a leitura, sonhei com cegueira e com doencas contagiosas (no mundo, paralelamente, uma epidemia terrível do vírus Ébola arrasava – e ainda arrasa – parte da África ocidental). O livro permaneceu em mim. Espetacular.

Lido em português.

“Älskade”

March 9, 2014

O primeiro livro da americana Toni Morrison que leio. O que dizer sobre esse livro? Interessante, complicado (no início), amedrontador, trabalhoso. Isso. Ler esse, cujo título no original é “Beloved”, foi difícil mas interessante. Não posso contar a história porque perderia a graça para quem ainda não leu, mas posso dizer que é um livro sobre escravidão, liberdade, vida, morte, espíritos, uma sociedade baseada em injustiça, medo, terror e atos de rebeldia. Há muito tempo queria ler Toni Morrison, que ganhou o Nobel de Literatura em 1993 e o Pulitzer de melhor livro em 1988, quando foi publicado nos EUA. Acho que escolhi a obra certa pra começar. Mas, pra ser muito sincera, preciso dar um tempo com ela. Tudo é muito forte, difícil de digerir.

Lido em sueco.