“Bad feminist”

June 6, 2017

Adorei! Primeiro livro da escritora americana Roxane Gay. É um livro de ensaios sobre feminismo, sobre ela mesma, sobre a cultura popular (americana), filmes, música, raca, racismo e muito mais. Aprendi um monte de coisas quando li o livro. Queria que Roxane Gay pudesse explicar coisas para mim, sobre a vida, a sociedade, sobre o que nos leva a fazer certas coisas na vida. Imagine se desse pra dar um ligada pra ela e perguntar? Agora já encomendei o livro novinho dela, “Hunger”, uma autobiografia que fala do corpo dela. Interessantíssimo! Recomendo demais.

Lido em sueco.

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“Ett eget rum”

August 18, 2016

Mais uma obra feminista! Já li Virginia Woolf antes, “Mrs. Dolloway” e gostei muito. Mas às vezes os textos de Virginia Woolf são complicados, as frases compridíssimas, as idéias complicadas. A leitura pede concentracão completa, o que eu nem sempre consigo oferecer. Mas esse aqui, cujo título no original é “A room of one’s own”, vale a pena se esforcar. Não é ficcão – ou pelo menos não completamente – é um discurso que Virginia Woolf fez na década de 1920 num dos colleges em Oxbridge, sobre mulheres e literatura. É fascinante. Ela faz um meta-texto e conta como foi difícil fazer pesquisa sobre o assunto já que as mulheres, por exemplo no século XVIII, não podiam escrever porque não tinham tempo por trabalhar demais em casa, cuidar de todas as criancas, ou não tinham dinheiro porque não tinham direito de trabalhor ou, quando trabalhavam, não recebiam salários, que iam direto para seus maridos etc etc. A teoria dela – com a qual eu concordo – é que para que as mulheres possam escrever de forma livre e criativa, elas precisariam de uma renda fixa (“500 libras por ano”, em valores da época) e um quarto/sala onde pudessem se trancar, sem ninguém batendo na porta e interrompendo. O texto foi publicado pela primeira vez em 1929. Ah, Virginia, se você soubesse que o mundo mudou desde então, mas que muitas mulheres ainda vivem impossibilitadas de terem a room of one’s own.

Lido em sueco.

Panfleto baseado num discurso da minha querida e amada Chimamanda Ngozi Adichie, cujo título no original é ”We should all be feminists”. Concordo. Deveríamos mesmo. Interessante os pontos-de-vista dela (Chimamanda sempre é interessante), mesmo sendo bem “básicos”. Foi justamente por isso que uma série de ONGs e parcialmente também o governo sueco ofereceram o livro de graca a 100 000 estudantes do ginásio daqui. A idéia é fenomenal porque o livro levanta idéias básicas näo apenas do feminismo, como da necessidade do mundo ser mais igualitário entre homens e mulheres. Muito bons, tanto a idéia de dar o livro de graca para estudantes (só no primeiro mundo!) e o livro em si.

Lido em sueco.

“Farther Away”

July 26, 2013

Livro de ensaios/artigos jornalísticos/discursos do meu querido mais do que amado Jonathan Franzen. Amo quando ele escreve ficção, sigo, inclusive, as dicas dele, quando ele comenta outros livros, mas também adoro quando ele escreve sobre outras coisas, quando relata a situação dos pássaros no Chipre, quando faz um discurso de final de curso numa universidade americana. Um pequeno trecho, pra dar água na boca:
“When you stay in your room and rage or sneer or shrug your shoulders, as I did for many years, the world ans its problems are impossibly daunting. But when you go out and put yourself in real relation to real people, or even just real animals, there’s a very real danger that you might end up loving some of them. And who knows what might happen to you then?”

Se pudesse dava dez corações a ele. 🙂

Lido em inglês.

Mais um da teóloga especializada em ética Ann Heberlein. Li antes: “Jag vill inte dör, jag vill bara inte leva”, “En liten bok om ondska” e “Ett gott liv”, então posso dizer que já sou quase uma expert en Heberlein. O título desse já diz tudo: “Não foi culpa minha! A arte de ser responsável”. Adorei. Ann Heberlein, sempre cultíssima e inteligentíssima, escreve uma tese interessante sobre a ética de se aceitar a responsabilidade por seus atos. Foi uma daquelas leituras que fiz com uma lapiseira ao lado porque precisei marcar várias passagens do livro. Acho que todos os professores lidando com bullying devem ler esse livro, assim como quem quer que seja, interessado em agir com adulto (o que quer dizer aceitar que para todas as ações há reações) num mundo cada vez mais infantilizado. Recomendo muitíssimo.

Lido em sueco.

Mais um de Susanna Alakoski que leio. Adorei. O título é mais ou menos “Outubro na Suécia pobre: diário”. Nesse livro Alakoski escreve em forma de diário durante o mês de outubro 2011 sobre a situação da pobreza na Suécia – que existe, mesmo que não seja o mesmo tipo de pobreza com a qual estamos acostumados a ver e ouvir falar no Brasil. Aqui a pobreza é, às vezes, invisível. São crianças sem sapatos novos de inverno, que não viajam, que não podem fazer esportes e nem participar das atividades da turma de colégio. São crianças com pais viciados em álcool ou drogas, são crianças que fogem de casa, dormem e comem na casa de amigos. Susanna Alakoski descreve ainda pedaços de sua própria infância, um espelho de uma pobreza nascida do vício dos pais. Pungente e impressionante.

Lido em sueco.

Interessante o livro de Maria Sveland (e outras) sobre a alegria da separação e do divórcio. Sim, você leu certo: várias personalidades culturais suecas, somente mulheres, escreveram sobre como melhoraram suas vidas quando se separaram dos maridos/parceiros. Gostei porque o livro não é raivoso contra os homens, mas mostra que a felicidade é possível na solidão, mesmo que, no início, seja o inferno na terra, ainda mais pra quem tem filhos. Adorei o texto da feminista sueca Mian Lodalen, adorei o texto da política Gudrun Schyman e o da escritora Åsa Larsson, adorei muitos textos. Adorei!

Lido em sueco.