É um dos livros mais feministas que já li, exatamente porque fala sobre o espaco extremamente estreito dado ao comportamento feminino dentro do que é normal e do que é anormal. O título do livro é “A diva ferida: sobre a estética da psique” e Karin Johanisson escreve sobre três mulheres, as suecas Agnes von Krusenstjerna, escritora, e Sigrid Hjortén, artista, e a alemã-sueca Nelly Sachs, escritora e ganhadora do Nobel de literatura em 1966. A partir das três ela discute os diagnósticos que elas receberam dos médicos da época, histeria (Agnes), esquizofrenia (Sigrid) e paranóia (Nelly). Interessantérrimo porque duas delas (Agnes e Sigrid) se rebelaram contra os costumes da época (século XX), casamento, o que se espera das mulheres em termos de comportamento e aceitância em relacão à sociedade em geral. Muito bom, mesmo que tenha achado o livro um pouco repetitivo, principalmente na parte dedicada à Agnes von Krusenstjerna.

Lido em sueco.

Ah, esses livros da classe altíssima inglesa! Você comeca a ler e nunca sabe onde vai parar. Pode ser nos salões mais requintados da côrte ou num gueto sórdido. Adoro! Essas novelas do britânico Edward St Aubyn são um exemplo dessa variedade. Tem de tudo do pior num mundo onde se tem acesso a tudo o que há de melhor. Um resumo: romance semi auto-biográfico sobre um menino nascido rico num casamento péssimo. A mãe, rica e fraca, dominada pelo terror que sentia pelo marido, foge do filho e não é simplesmente good enough. O pai, um pedófilo desgracado, infeliz, sarcástico e verdadeiramente cruel, faz a vida do garoto um inferno na terra. A partir daí, a história se desenvolve, com uso de drogas pesadíssimas (ninguém sai ileso de uma infância como a de Patrick Melrose), acidez, a busca pelo amor que parece impossível, a paternidade e a discussão de como todos nós temos que, um dia, crescer de verdade, e parar de anciar por uma eterna compensacão emocional (tröst). Os livros são fenomenais. ADOREI. Recomendo!

Lido em inglês.