“Dora Bruder”

December 27, 2014

O primeiro do francês Patrick Modiano que li. Ele era um desconhecido para mim até o Comitê do Nobel premiá-lo com o Nobel de literatura desse ano. Gostei do livro, que conta a história das buscas de Modiano por pistas sobre a menina Dora Bruder, desaparecida durante a segunda guerra mundial em Paris. Os pais dela colocaram um anúncio num jornal francês nos anos 40 procurando pela filha. Modiano viu o anúncio muitos anos depois e, durante nove anos, seguiu os passos de Dora, dos pais dela e de outras pessoas, contemporâneas. Ele conta um pouco da sua própria história no meio do texto. Fiquei imaginando a razão dele ter ficado obcecado com esse anúncio. Talvez ficou comovido pelo cuidados dos pais, dois judeus que arriscaram muito para procurar pela filha, enquanto ele, Modiano, nunca teve esse tipo de cuidados dos pais. O tom é melancólico.

Lido e m sueco.

“Americanah”

December 23, 2014

O terceiro da minha preferida Chimamanda Ngozi Adichie. Ela vem da Nigéria, mas estudou nos EUA. Esse Americanah é ficcao, mas acredito que seja baseado nas experiências dela. A protagonista, Ifemelo, cresce na burguesia nigeriana, mesmo sem ter sido de classe alta. Ela consegue visto pros EUA (dificílimo para nigerianos) e vai estudar nos EUA. Assim como nos outros livros de Chimamanda, os personagens são tão fortes e bem definidos que dá vontade de ler outros livros paralelos, nos quais as vidas dos personagens auxiliares ganhem mais espaco. O tom desse livro é menos político, no ponto de vista africano – em comparacão com os outros livros dela. Mas a escritora fala sobre identidade, raca, sociedade, corrupcão e migracão. Adorei. Adorei.

Lido em sueco.

“The world of yesterday”

December 4, 2014

Sempre tinha ouvido falar de Stefan Zweig, sabia que ele tinha morrido em Petrópolis, na região serrana do Rio, onde passei incontáveis férias. Já adulta, ouvi falar desse livro e fiquei com vontade de ler. Zweig conta a história da Belle Époque européia antes da primeira guerra mundial, de como a Europa entrou na primeira guerra achando que seria uma aventura (erro fatal para milhões de pessoas) e de como a segunda guerra mundial devastou o continente europeu, não apenas fisicamente mas psicologicamente. O livro é um documento interessante, mas fiquei intrigada com Zweig, que não inclui praticamente nada sobre mulheres no seu livro. Todos os artistas são homens, tudo é visto do ponto-de-vista do autor, masculino, sem envolvimentos emocionais. Sem nada mais do que a vontade (louvável) de viver num tempo de paz. O relato é interessante mas muito distanciado de qualquer “humanidade” – talvez um retrato da época em que foi escrito (anos 40, quando o mundo ainda temia que Hitler pudesse ganhar a guerra).

Lido em sueco.