Ah, esses livros da classe altíssima inglesa! Você comeca a ler e nunca sabe onde vai parar. Pode ser nos salões mais requintados da côrte ou num gueto sórdido. Adoro! Essas novelas do britânico Edward St Aubyn são um exemplo dessa variedade. Tem de tudo do pior num mundo onde se tem acesso a tudo o que há de melhor. Um resumo: romance semi auto-biográfico sobre um menino nascido rico num casamento péssimo. A mãe, rica e fraca, dominada pelo terror que sentia pelo marido, foge do filho e não é simplesmente good enough. O pai, um pedófilo desgracado, infeliz, sarcástico e verdadeiramente cruel, faz a vida do garoto um inferno na terra. A partir daí, a história se desenvolve, com uso de drogas pesadíssimas (ninguém sai ileso de uma infância como a de Patrick Melrose), acidez, a busca pelo amor que parece impossível, a paternidade e a discussão de como todos nós temos que, um dia, crescer de verdade, e parar de anciar por uma eterna compensacão emocional (tröst). Os livros são fenomenais. ADOREI. Recomendo!

Lido em inglês.

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“Nattvakten”

May 15, 2016

Mais um livro que li para o meu círculo de leituras. Fui eu quem quis ler o livro e me decepcionei um pouco. A inglesa Sarah Waters escreve muito bem, mas a história em si deixou um pouco a desejar. Ela conta de trás pra frente, de 1947, passando por 1944 e até 1941, as histórias de Kay och Mickey, Duncan e Viv, Helen e Julia. É um romance sobre a guerra em Londres e de como a vida dessas seis pessoas se desenrolou. Não conto mais para não estragar a história, mas posso dizer que a maioria das personagens femininas tem casos amorosos umas com as outras. A homosexualidade corre como um fio-condutor na história e é interessante, mas perde um pouco a graca depois da matade do livro. O que Sarah Waters faz é mostrar como era não poder viver livremente com a pessoa que você ama quando isso ainda era proibido. Não há intriga; só encontros e desencontros. O que eu acho que a autora é especialmente boa em fazer é descrever sentimentos. Quando Helen fica com ciúmes é quase como se eu estivesse sentindo a dor dela, mesmo sem nunca ter sentido isso in real life. O mesmo acontece quando a autora descreve o aborto feito por uma personagem. Muito bom mesmo.

Lido em sueco.

“Livet efter dig”

February 28, 2016

Mais um livro lido para meu círculo de livros. Esse também foi o primeiro da inglesa Jojo Moyes que li. O título em inglês é “Life efter you” ou coisa que o valha. É o que eu chamo um típico “livro de aeroporto”: fácil de ler, sem complicacões e que não te faz sentir nada mais do que um vago interesse em continuar lendo pra ver no que vai dar. Mas se você, por alguma razão, perder o livro e não puder terminar, não ficaria triste. O fim é previsível, o que pra mim é sempre chato, mas pra muita gente é justamente o que é bom nesse tipo de literatura: você fica seguro que o livro vai ter comeco, meio e fim e que você não vai ficar sem saber o que aconteceu. Will, um yuppie cheio de graca, sofre um acidente, fica paralizado do pescoco pra baixo e não quer mais viver. Aí entra Lou, uma moca da classe trabalhadora, que tentar “salvar” o rapaz. Bom, não conto mais nada que é pra não estragar. Se bem que não tem muito o que se estragar… (ao mesmo tempo me sinto como o Grinch, porque milhares de pessoas gostam desse e dos outros livros de Jojo Moyes. What’s wrong with me?) Dou um coracão porque é tecnicamente satisfatório.

Lido em sueco.

“Gökens rop”

March 1, 2015

Comprei esse porque li que o autor, Robert Galbraith, era o pseudônimo da J.K. Rowling, a escritora dos meus amados livros do Harry Potter. Li as resenhas e achei que poderia me agradar, mas como estava errada! Achei a história pobrinha, a intriga chatinha e os personagens pouco interessantes. Nunca tinha lido nada da J.K. Rowling depois do Harry Potter (pelo menos não me lembro se o fiz…) mas fiquei meio triste porque realmente não gostei. O livro é sobre o detetive particular Cormoran Strike e sua assistente Robin. Nesse livro eles tentam descobrir quem matou uma modelo famosa. Achei chato pra caramba, mas dou um coracão inteiro porque li até o final e porque é a J.K. Rowling. We have a history together.

Lido em sueco.

Li a autobiografia de Jeanette Winterson antes de ler qualquer livro de ficcão dela. Então quando li esse daqui, achei tudo muito parecido. Mesmo assim, o livro é muito bom. Eu gosto do estilo de Jeanette Winterson. Ela fala de classe, religião, sexualidade, liberdade e vida em geral (das escolhas que todos nós fazemos sempre, o tempo todo e das consequências disso). Gosto da história, gosto dos personagens, gosto de tudo. Recomendo.

Lido em inglês.

Livro recomendado pelo meu favoritíssimo Jonathan Franzen. A autora, Helen Simpson, escreve numa série de contos sobre mulheres. Relações, maternidade, trabalho, vida, aspirações, fracassos. Alguns textos são engraçados, outros menos. Gostei mas não amei. Sorry, Jonathan!

Lido em inglês.

“Drottningen vänder blad”

February 17, 2012

Não gostei desse livro do britânico Alan Bennett. O título no original é “The Uncommon Reader” e faz referência à protagonista, nada mais nada menos do que a rainha da Inglaterra. Bennett escreve uma sátira rapidinha, 124 páginas na edição sueca, sobre como Elizabeth II descobre o prazer de ler. É bacaninha porque ele inclui vários títulos interessantes no texto, mas a “intriga” em si é fraquinha, fraquinha. Um daqueles livrinhos de aeroporto, sabe? Se bem que é pequeno demais. Só dá se for vôo curto (ou se você não tiver filho pequeno). Dou uns coraçãozinhos porque me divertiu um pouco.

Lido em sueco.