"Pojkår"

November 23, 2003

O primeiro livro que li de John Maxwell Coetzee, o escritor sul-africano ganhador do prêmio Nobel de literatura de 2003. É um livro autobiográfico, no qual Coetzee conta sua infância, suas contradições crescendo na África do Sul do apartheid. Quem é ele? Afrikaan ou inglês? Católico ou protestante? Enquanto leio Coetzee uma palavra aparece na minha mente a todo o instante: seco. O livro é enxuto até a última gota. Não há uma “gordurinha” pra queimar, nada é excessivo. Tudo está no seu lugar. Leitura muito interessante, mas Coetzee é daqueles que ama-se ou deixa-se. Eu gostei muito.

Lido em sueco.

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Um dos melhores livros que li desde que vim morar na Suécia. Gellert Tamas conta a história de John Ausonius, que durante 1991 e 1992 apavorou Estocolmo, ao atirar em 11 pessoas com uma pistola com mira a laser (daí o nome). Uma pessoa morreu, todas as outras ficaram feridas gravemente. Em comum, as vítimas tinham apenas uma coisa: todos eram imigrantes, de pele e cabelos escuros. Ausonius, ele mesmo um svartskalle (“cabeça preta”, denominação preconceituosa de suecos para com imigrantes) assaltava bancos para financiar sua vida marginal.

Mas o livro de Tamas não pára por aí. O fantástico é que ele entrelaça à história de Ausonius uma verdadeira revisão da situação político-econômica da Suécia no início dos anos 90, quando o país atravessou uma das crises econômicas mais graves de sua história. Como resultado, o ódio e a intolerância com relação aos imigrantes aumentaram e até um partido de simpatias neo-na***as conseguiu votos suficientes para conquistar cadeiras no parlamento. Se você quiser entender esse pedaço da história sueca – nem que seja apenas esse – compre e leia esse livro. Vale cada centavo.

Lido em sueco.

Joanne Harris escreve uma história de segredos, traições e… comida. Tudo se passa no sul da França, na pequena cidade de Les Laveuses, onde a protagonista, Framboise, conta a história de sua família através de um livro de receitas mágico. Interessantíssimo livro. Original, bem escrito. Bonito. Dá vontade de comer o que Framboise cozinha e de fazer um caderno de receitas assim, entrelaçado com a vida.

Lido em inglês.