Esse livro do americano Anthony Doerr ganhou o Pulitzer de ficcão 2015, o que me deixa um pouco surpresa. O livro é bom, mas senti o tempo todo que estava lendo um roteiro de cinema, tantas são as referências a locais, ruas etc. O que é irônico já que a personagem central da história é Marie-Laure, uma menina francesa cega. O pai, tipo de carpinteiro e faz-tudo num museu em Paris, fez um modelo em madeira do quartier em que moram para que Marie-Laure possa aprender a andar sozinha quando crescer. Cada aniversário ele faz um prédio/casa novo para o modelo, e Marie-Laure tem que abrir o modelo, sempre uma espécie de quebra-cabeca de madeira, e achar um presentinho dentro. Do outro lado da história está Werner, um menino órfão alemão. A vida dos dois se entrelaca durante a segunda guerra mundial. Novamente: não é espetacular (longe disso), mas é bacana.

Lido em sueco.

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Que descoberta! Fiquei sabendo do livro de short stories de Lucia Berlin depois de ler uma resenha no jornal ou em uma revista. Comprei, li e adorei. São 43 short stories em que a autora conta sobre sua vida, a bebida, os filhos, os trabalhos, a família, a morte, os amores, as relacões, a vida. Inteligente, reflexiva, sarcástica, engracada e muito, muito sensível. Ela usa sua vida para criar ficcão, o que fica ainda mais interessante. Lucia Berlin morreu em 2004 e está agora alcancando o sucesso merece. Muito legal mesmo. Vale a pena. (Não chega ao nível de “A Little Life”, mas é muito bom)

Lido em inglês.

“A Little Life”

September 27, 2016

Um dos melhores livros que já li na minha vida. Chorei duas vezes (um recorde). Conta a história de Jude, Willem, JB e Malcolm, quatro amigos que se encontram na universidade e seguem amigos a vida inteira. O estilo de Hanya Yanagihara é fenomenal, com vozes diferentes e uma fluência incrível entre tempos e personagens. É uma história sobre broken people, amizade, amor, destruicão, e talvez esperanca. Vale MUITO a pena ler. Sinto inveja de quem ainda não leu e tem maravilhosas quase 800 páginas pela frente. Tive uma sorte danada: o livro me foi presenteado pelo meu marido, que estava viajando e entrou numa livraria do aeroporto pra me comprar um presentinho. A vendedora disse que esse livro estava sendo muito bem recomendado. E ele comprou. Que sorte! Obrigada vendedora! (Vou dar seis coracões, uma cotacão inexistente até agora, porque esse aqui é realmente something extraordinarie)

Lido em inglês.

“Purity”

April 1, 2016

Meu querido Jonathan Franzen, de quem já li tanto. Sim, já li vários livros dele e esse é o que gostei menos. É a história de Purity, uma moca meio alquebrada, da mãe, mucho loca, do pai (não conto mais pra não estragar a história) e de um rapaz alemão, Andreas, também mucho mucho loco. O passado e o futuro dessas pessoas todas estão entrelacados. Não posso deixar de observer e achar interessante como Franzen descreve as mães no livro. A mãe de Purity, cujo retrato é contato pelo pai dela, e a mãe de Andreas, valem um livro só pra elas. E é exatamente isso que adoro nos livros de Jonathan Franzen: a capacidade dele de observar, descrever o comportamento humano, analizar, e tirar conclusões interessantíssimas sobre a condicão humana. Aprendo sempre, muito, quando leio livros dele. Mas essa história me decepcionou. Leia pra aprender mais sobre o que é ser humano, mas não pela história em si, que é fraca. Mesmo assim, ele ganha quatro coracões porque ele é meu querido.

Lido em inglês.

”Farväl för nybörjare”

December 17, 2015

Ah, Anne Tyler. Fui colocada em contato com ela quando ganhei um livro da minha terapeuta há muuuitos anos atrás. O que gostei no livro que li, “O turista acidental” (que virou filme com Willhem Hurt) é como Anne Tyler consegue dar vida a pessoas tão diferentes, tão excêntricas, e que você acaba por amar, apesar de todas as maluquices. Esse livro, cujo título original é ”The Beginner’s Goodbye”, é sobre luto. Aaron perde a esposa Dorothy, num acidente meio ridídulo. A partir daí a história se desenvolve e é comovente. “O turista acidental” ainda é MUITO melhor, mas Anne Tyler é sempre Anne Tyler e vive no meu coracão forever.

Lido em sueco.

”Vi kom över havet”

November 29, 2015

Julie Otsuka escreve a história de uma generacão de japonesas, todas esposas “importadas” por imigrantes japoneses nos Estados Unidos. O interessante é como Otsuka conta a história: são várias as vozes. Não há um protagonist; as mulheres todas fazem parte de um coro de vozes que se entitula “nós”. O efeito é muito forte, multifacetado, rico e impressionante. Título Original: “The Buddha in the Attic”. Vale a pena. Gostei.

Lido em sueco.

“Öppen stad”

September 10, 2015

Tenho uma regra aqui nesse blog, que ninguém lê, mas que mantenho por um narcisismo remanescente: não escrevo sobre livros que comecei mais não terminei. A maioria não foi terminada porque é ruim demais ou chata demais. Esse “Cidade aberta” do nigeriano Teju Cole pode ser classificado na segunda categoria. Não é ruim mas chaaato. Comeca bem, com ritmo bom mas depois pára. Totalmente estagnado, apesar de o protagonista não parar quieto, andar de um lado para outro em Nova Iorque e depois até viajar pra Europa. Bom, se não costumo escrever sobre livros que não terminei porque então escrevo sobre esse? É que quase terminei. Faltaram apenas umas 50 páginas (ou menos, não me lembro). O problema é que me cansei. Mas pode ser que alguém (será que alguém ainda lê isso aqui a não ser eu mesma?) possa gostar.

Lido em sueco.