Esse livro do escritor Daniel Galera me foi recomendado por muitas pessoas, todos homens. Achei o título interessante. Quando ganhei o livro do meu pai e meu irmão me disse que eu tinha que ler, fui lá e li. Olha, eu gostei, mas não completamente. Achei a história bem contada, interessante e gostei da cor local que ele deu (o que me faz refletir que eu realmente estou há muitos anos fora do Brasil porque todos os livros brasileiros que leio me enchem de nostalgia pelo idioma, lugares, cheiros e sabores que eu deixei pra trás). Mas, achei um livro essencialmente masculino, o que em si não é um problema, mas que não me agrada assim além da conta. Ao mesmo tempo, gostei MUITO da parte final do livro, quando o protagonista (ele tem nome? Não me lembro mas acho que não) sai de casa para andar e ficar sozinho. Não ficamos sabendo muito quando ele tomou essa decisão, provavelmente quando largou o emprego, mas a narrativa da caminhada dele de muitos dias é muito boa. Eu me vi prendendo a respiracão durante a leitura e no final não consegui ir dormir até terminar o livro, apesar de precisar trabalhar no dia seguinte. O protagonista tem um problema cognitivo que o faz esquecer o rosto das pessoas que conhece. Ele não reconhece as pessoas pelo rosto, mas por detalhes corporais, jeito de andar etc. Insólito. Mas aí você se pergunta, do que se trata esse livro? O protagonista conversa com o pai, que conta sobre o mistério do desaparecimento do avô. O pai se mata e o rapaz larga tudo pra viver sozinho numa cidade do litoral catarinense, Garopaba, onde quer descobrir o que aconteceu com o avô.

Lido em português.

“Dois irmãos”

April 20, 2016

Ganhei o livro de Milton Hatoum de natal do meu pai. Já tinha ouvido falar dele, mas nunca tinha lido seus livros. Gostei. Gostei muito. Adorei entrar no universo oral do norte do Brasil, as expresses, os nomes, o tom da pele. Adorei ler e reler as descricões sobre as construcões de Manaus no início o no meio do século passado. Gostei da tensão entre os irmãos, da mãe (mais uma mãe louca e completamente inconsequente, responsável pela divisão da família), do pai (carente e que nunca deixa de ser um rapaz apaixonado e não dá espaco à mãe), da empregada (criada com a família, mãe do narrador da história, um filho não reconhecido de um dos irmãos) e dos irmãos, claro. Dentro de tudo isso, muita violência, desonestidade e animosidade. Adorei. Quase consegui sentir o cheiro do Brasil daqui de longe. Saudades.

Lido em português.

Primeiro livro do meu amigo de infância Flavio Cafiero. Adorei. O tom é vertiginoso; é como se o leitor estivesse na cabeca do protagonista, Luna. O acompanha na mudanca de vida que ele fez, nas encrencas do amor, na beira da loucura. Depois de uma passagem específica – na qual Luna percorre às ruas da cidade, centro do Rio? sem voltar pra casa – me lembrei muito do João Gilberto Noll. Adorei.

Lido em português.

“A chave da casa”

September 29, 2011

Livro de Tatiana Salem Levy. Duas pessoas muito queridas me deram esse livro de presente, porque acharam que eu ia gostar. E acertaram. Ela conta a história de uma moça que volta à Turquia, em busca das raízes de sua família brasileira. Interessante, com textos curtos, alternados sobre três gerações da família. Achei a linguagem conhecida, de alguma forma. Mas, mesmo tendo gostado do livro, achei que à história falta unidade, falta peso. Os textos são ligeiros demais pro meu gosto. Queria que ela tivesse desenvolvido mais os personagens, tal e qual Jonathan Franzen faz. Mas, ao mesmo tempo, compreendo que a idéia aqui é mais poética do que de prosa.

Lido em português.

"Budapeste"

July 25, 2004

Chico Buarque e seu mais novo exercício estilístico. Sinceramente, acho “Budapeste” gélido, distante, com um personagem egocêntrico e obcecado por seu anonimato/celebridade. É, como o Caetano escreveu na resenha que ilustra a orelha do livro, “Budapeste é um labirinto de espelhos que afinal se resolve, não na trama, mas nas palavras, como os poemas”. Não sou centauro pra gostar de labirintos.

Lido em português.

"O Xangô de Baker Street"

September 10, 2002

Mais um lido durante minha visita ao Rio, em 2002. Se não me engano, voltei pra Suécia lendo esse aqui. Mas, mais uma vez, não lembro de quase nada. Acho que não posso culpar o livro, uma vez que minha cabeça estava a mil, mas ainda assim, toda a história criada pelo Jô Soares foi simplesmente apagada da minha memória. Li a contra-capa e me lembro vagamente de Sherlock Holms no Brasil e tals. Acho que gostei desse aqui. Vou dar uns três corações, just to be fair. Presente da tia Tereza Cristina.

Lido em português.

Se não me engano, “A Fúria do Corpo” foi o primeiro livro do João Gilberto Noll que li, seguido logo depois de “O cego e a dançarina”, livro de contos. Mas não me lembro mais. Só sei que adoro a prosa masculina dele, adoro. Me lembro que às vezes tinha rápidos ataques de pudicizia quando lia suas histórias, para em seguida confirmar que a vida tinha, de fato, muito mais a me oferecer do que eu jamais poderia imaginar. Li todos os livros do Noll emprestados do meu pai.

Lidos em português.

"O Alquimista"

August 27, 1990

O primeiro e único livro do Paulo Coelho que li. Quando o fiz, logo depois de ele ser lançado (anos 80?), achei muito interessante e gostei da coisa do “universo conspira” para que você faça algo decisivo na sua vida. Tando gostei como me lembro disso até hoje. O resto da história eu esqueci, como se faz com os livros do Paulo Coelho. Tento não ser preconceituosa com relação à obra do escritor, que aliás faz o maior sucesso aqui na Suécia também, mas não tenho muito sucesso. A razão, talvez, é porque realmente não gosto de como ele escreve ou de suas idéias.

Lido em português.

Sou maluca por Clarice Lispector. Comecei a ler seus romances, seus livros de crônicas e que tais quando ainda era uma adolescente e encontrei na prosa dela a voz da minha alma. Esse livro da imagem, “Uma Aprendizagem ou o Livros dos Prazeres” é um dos meus preferidos de todos os tempos. Lóri, a protagonista, se apaixona por Ulisses, mas precisa aprender a viver apesar dessa paixão. Ela precisa aprender a “ser”. O livro é ma-ra-vi-lho-so. Li muitos outros livros da Clarice, a saber: “A Via Crucis do Corpo” (em março de 1990), “Perto do Coração Selvagem” (em junho de 1989), “A Paixão Segundo GH” (em março de 1990) e ainda “Laços de Família” (em dezembro de 2001), presente do papai. Recomendo todos. Clarice faz bem pra alma.

Lidos em português.

"Feliz Ano Velho"

February 7, 1990

feliz_ano_velho.jpgO livro da minha geração. Marcelo Rubens Paiva escreve uma autobiografia sobre o acidente que o deixou tetraplégico, a vida e a morte do pai, sua família. Muito emocionante. Li quando tinha mais ou menos 13, 14 anos. Fui à peça no Teatro Ipanema com o Marcos Frota no papel título, fiquei com vergonha de pedir autógrafo quando eu e uma amiga o encontramos na padaria da esquina, depois do espetáculo. Li o livro tantas vezes que parecia que era amiga íntima da família Paiva, numa espécie de síndrome da novela das oito. Isso durou até o dia em que meu colégio resolveu promover um encontro com o escritor. Auditório lotado. Depois da palestra de abertura, quando Marcelo falou sobre o livro, o encontro foi aberto a perguntas. Eu, claro, faço a minha. Queria saber como estava a família dele, como vai sua mãe, Marcelo, perguntei, muito ingenuamente. Ele riu da minha pergunta e disse que ela estava bem… e fez pouco da minha curiosidade de fã. Me senti pequenininha naquele dia. Li ainda “Blecaute”, que não achei lá essas coisas.

Lido em português.