Lido para o meu círculo de livros. Não gostei. Tentei, tentei mesmo, mas não gostei. O título, que pode ser traduzido como “A elegância do porco-espinho”, diz respeito à concièrge de um prédio de luxo em Paris, Renèe, que é inteligentíssima, lê filosofia etc, mas que esconde isso numa tentativa de viver em paz. Paralelamente lemos a voz de Paloma, uma menina de 11 anos, também inteligentíssima, muito sozinha e que decidiu que vai se matar antes de completar 12 anos. Quando um morador japonês se muda para um dos apartamentos do prédio, a vida das duas se entrelaca. Mas o livro é fraquíssimo. Inúmeras páginas são gastas em uma espécie de dissertacão filosófica chatíssima, sem contato com o texto em si. Ambas as vozes, de Renée (uma senhora com quase 60 anos) e Paloma (uma menina de 11) são parecidas; parece que faltou à autora, a francesa Muriel Barbery, talento para dar às duas personagens centrais da história vozes distintas. Li até o final, e fiquei muito decepcionada. Mas não é um dos piores livros que li, por isso ganha um coracão inteiro.

Lido em sueco.

Primeiro livro do francês Édouard Louis que leio. É também o primeiro livro dele. O título no original é ”En finir avec Eddy Bellegueule”. Pelo que entendi é um livro de memórias sobre a infância e adolescência do autor, sobre como foi difícil crescer como homosexual numa família pobre e sem educacão formal, numa cidade pequena do interior do norte francês. Muitas são as histórias de “bullying”, de como Eddy era massacrado por outras criancas na escola e como não conseguia fazer com que a violência parasse. Ele conta como os pais, sem qualquer instrucão, o maltrataram, ou melhor, não tinham tempo, energia e neurônios pra entender como deveriam cuidar de uma crianca – muito menos uma crianca diferente da norma. Ele nunca gostou de meninas e nunca quiz jogar futebol. Era considerado “afeminado” e, por isso, sempre fora dos padrões. Impressionante como o mundo de uma crianca – seja ela francesa, sueca ou brasileira – pode conter tanta violência e infelicidade. O livro é interessante.

Lido em sueco.

Estava contente de ter descoberto uma escritora francesa de sucesso, cujos livros eu pudesse, quem sabe, ler em francês. Tinha ouvido falar da autora desse, Anna Gavalda, e depois de ler uma entrevista com ela numa revista sobre livros que assino, decidi comprar um livro dela. Meu escolhido foi esse, cujo título traduzido é “Juntos somos menos sozinhos”, ou coisa que o valha. Mas, que decepção! Não gostei de nenhum personagem, tudo me pareceu muito superficial; o livro todo como um grande diálogo, cheio de gírias (não entenderia nada em francês), sem reflexão alguma. Ruim.

Lido em sueco.

"Kiffe kiffe imorgon"

October 11, 2006

O livro de Faïza Guène conta a história de Doria, uma menina de 15 anos que vive com a mãe num apartamento em um banlieu parisiense. O pai abandonou a família porque Doria era a única filha e… não era do sexo masculino. A linguagem é extremamente fácil e rápida. Às vezes ficava até irritada como coisas interessantes da trama que eram meio que deixadas pra trás, sem muita consideração. Um choque, depois de ler o cuidadíssimo “On Beauty”.

Lido em sueco.

"Stupeur et Tremblements"

August 4, 2005

Me deliciei com as aventuras de Emélie Nothomb na empresa japonesa Yumimoto. Como um samurai diminuto, ela se ocupava em virar as páginas dos calendários de toda a empresa, contemplava o nada, servia café e chá, distribuia cartas, “ajudava” o departamento de contabilidade, fazia relatórios sobre o consumo de manteiga na Bélgica, admirava a beleza de sua chefe direta, Fubuki Mori, trocava papel higiênico nos banheiros da companhia e era continuamente humilhada por chefes e chefes dos chefes. O livro é um barato. O mais legal é que Nothomb consegue fazer um divertidíssimo tratado sobre a sociedade japonesa, especialmente as mulheres nipônicas. Recomendo! Presente da Tetê.

Lido em francês.