“Glöm mig”

August 20, 2017

O jornalista sueco Alex Schulman não é um escritor, apesar de já ter publicado vários livros. Nada de errado com isso mas ele mostra nesse livro sobre sua mãe alcoolista, que ele pode contar uma história de forma interessante, mas não faz literatura. Mesmo assim, o livro é bom, mostra um retrato honesto da mãe e o que a dependência do álcool faz com uma pessoa e com toda a família. Principalmente com os filhos. Eu achei que ele conseguiu mostrar, através de lembrancas de infância, a dor de uma crianca/adolescente/filho adulto quando um pai/mãe não dá conta da família, ou não consegue tomar conta de si prório. O título do livro pode ser traduzido como “Me esquecam”, uma frase que a mãe dele disse para os filhos quando eles, já adultos, comecaram a indicar que ela precisava buscar ajuda por causa do seu alcolismo.

Lido em sueco.

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“Att skriva”

July 15, 2017

Adorei esse livro sobre a técnica da escrita do superescritor americano Stephen King, cujo título em original é “On Writing”. Quero muito colocar as dicas dele em acão. Ele diz que quem quer escrever tem que escrever muito e ler sempre. Bom, um desses eu já pratico desde pequena, já o outro… Gostei das passagens autobiográficas. Que talento narrativo! Nunca li um livro dele porque não me interesso por sentir medo, pelo contrário, quero sentir outras coisas quando leio. Mas vi, principalmente durante minha adolescência, alguns filmes baseados nas obras dele. Sempre gostei das histórias. Gostei muito desse livro aqui e gostaria mais ainda se eu mesma estivesse escrevendo um livro. Recomedo pra quem já escreve e para quem, assim como eu, quer escrever mais não tem coragem.

Lido em sueco.

“Masja”

December 14, 2016

“Masja” é o último livro da trilogia da escritora sueca Carola Hansson sobre a família do escritor russo Leon Tolstoi. Masja, um apelido, é a filha preferida, a que sempre ajudou o pai com os manuscritos dele, com as cartas que precisavam ser lidas e respondidas diariamente. Ela adora o pai, e o pai a adora. Ela, assim como qualquer adolescente, se apaixona por muitos dos seguidores e admiradores do pai, mas nunca consegue agradar com suas escolhas românticas. Masja é a preferida mas também está no centro da esfera de poder do pai e da mãe, ambos extremamente dominantes. O livro é interessante mas um pouco repetitivo. O mais aflitivo foi saber que ela, depois de finalmente se casar desafiando os pais, tentou ter filhos e teve vários abortos espontâneos, outros nascimentos com o bebê natimorto. Um horror. O livro conta a história de Masja do final do século XIX até 1906, quando ela faleceu.

Lido em sueco.

Biografia do jornalista dinamarquês Jens Andersen sobre a grande escritora sueca de livros infantis, Astrid Lindgren. Foi ela a criadora do clássico mundial Pippi Meialonga. No Brasil ela não é tão conhecida, mas na Europa ela é uma gigante. Astrid faleceu em 2002, muito velhinha, depois de uma vida interessantíssima, que inclui um filho nascido fora do casamento nos anos 20 (uma vergonha para uma família como a dela) e muitas mudancas. Interessantíssimo saber como Astrid, ainda crianca, escrevia lindamente (pode-se ler alguns trexos dos trabalhos dela de escola) e de como o interesse dela pela natureza sueca se traduz em praticamente todos os seus livros. Adoro todos os livros dela que li junto com meus filhos, “Pippi Långstrump” (claro), “Emil i Lönneberga”, “Ronja Rövardotter”, “Madicken”, “Mio min Mio” och “Karlsson på taket”. Li, ainda quando estava aprendendo sueco, “Bröderna Lejonhjärta”, e foi um choque. O livro är lindo mas bastante diferente dos livros para criancas que eu estava acostumada naquela época (não conto pra não estragar pra quem ainda não leu e pretende ler). A biografia är muito fácil de se ler e interessante. O que eu não gostei muito foi que o autor, que já escreveu várias outras biografias, não analisa nada a fundo. Tudo é ligeiramente aprensentado, o que é bom, interessante, mas meio superficial. Recomendo mesmo assim.

Lido em sueco.

Pequeno livro da israelense Lizzie Doron, sobre sua mãe, que sobreviveu o Holocausto da Segunda Guerra Mundial. Sobreviveu, mas ficou pra sempre marcada. Ela conta uma infância e adolescência passadas com uma pessoa estranha, às vezes, engraçada, às vezes dizendo as verdades que apenas os loucos ousam dizer. Li o livro rapidíssimo porque é muito bom. A autora não aparece; é apenas a mãe que ganha espaço. Fascinante. Fascinante o que a solidão e a crueldade sistemática faz com as pessoas. Recomendo.

Lido em sueco.

“Mor, Mamma, Morsan”

January 20, 2014

Coletânea de textos de jornalistas, escritores e pessoas interessantes da elite cultural sueca. O assunto? Suas mães. Só a idéia já me deixou contente. Comprei achando que ia me deliciar e, de fato, alguns textos são bem legais, mas me decepcionei um pouco. O meu favorito é o texto da escritora Agneta Klingspor. Ela dá voz à mãe, que teve alzheimers. O texto começa com uma foto à la Diane Arbus da mãe da autora. Já me impressionou desde a primeira página. Fico imaginando o que meus filhos escreveriam sobre mim? É ego, ego, ego.

Lido em sueco.

Interessante o livro da jornalista americana Rebecca Skloot sobre Henrietta Lacks – ou melhor, sobre as células cancerígenas de Henrietta Lacks, que ajudaram o mundo inteiro a criar vacinas, a curar doenças e a evitar epidemias. Henrietta Lacks foi uma mulher negra americana morta nos anos 50 por conta de um câncer cérvico devastador. Nessa época a pesquisa precisava de células humanas pra testar novos medicamentos e vacinas antes de poder vendê-las comercialmente. O único problema é que as células acabavam sempre morrendo durante os testes. Os médicos que trataram Henrietta, no hospital Johns Hopkins em Baltimore, retiraram células do câncer dela que, de uma maneira ou de outra, sobreviveram. Não só sobreviveram mas se multiplicaram. Células HeLa, como são chamadas, foram enviadas para todos os cantos do mundo e acabaram sendo fundamentais para pesquisas que renderam bilhões de dólares americanos às empresas farmacêuticas. O livro conta essa história paralela à história da família de Henrietta, principalmente da filha Débora. Todos marcadíssimos pela pobreza a ignorância, o racismo e a exclusão. O livro é tocante.
Lido em inglês.