“Bära barnet hem”

March 22, 2017

Livro da jornalista e escritora sueca Cilla Naumann cujo título em português seria “Trazer a crianca pra casa”, mais ou menos. O verbo “bära” em sueco também quer dizer “carregar”, o que de fato seria uma traducão mais exata. Bom, o livro é uma combinacão de ficcão e diário. Cilla Naumann adotou três criancas nascidas na Colômbia. O mais velho, Adam, 20 anos, entra em contato com sua mãe biológica com a ajuda do Facebook e viaja para Bogotá para encontrá-la. Cilla vai junto. Ela alterna como foi o encontro com a história fictiva Ana, uma moca órfã e que trabalha como empregada numa casa de família em Bogotá. Ana é totalmente dedicada à crianca pequena da família. O livro é sobre o desejo da maternidade, de quem é a mãe de verdade. Não é um dos melhores livros que li mas é muito bom.

Lido em sueco.

“In gratitude”

March 18, 2017

Último livro da minha querida escritora inglesa Jenny Diski, que morreu em abril de 2016 de câncer. O livro é dividido em uma parte de memórias, em que ela conta como foi ir morar quando ela tinha 15 anos com Doris Lessing, uma parte sobre as doencas que acabariam tirando a vida dela (câncer nos pulmões diagnosticada em 2014 e, depois do tratamento, fibrose também nos pulmões) e uma terceira parte que pode ser chamada miscelânia, porque ela mistura ambos. Fala de gratidão, como o título sugere, de ingratidão, de morte, de como pessoas podem destruir outras (os pais de Jenny Diski que se destruiram mutuamente e à ela, Doris, que destruiu o filho Peter, e tudo o que aconteceu no caminho). Fiquei tão abalada quando li a parte sobre as doencas e a morte que sonhei, acordei no meio da noite em pânico e näo sabia onde estava. Forte e muito bom. Que pena que nunca mais terei Jenny Diski para ler. Vai fazer falta.

Lido em sueco.

Adorei! Livro da mexicana Guadalupe Nettel (em si já um mérito; adoro o México e gostaria muito de saber espanhol de forma correta para poder ler no original), cujo título pode-se traduzir como “o corpo em que nasci”. Livro pequeno, mais ou menos 200 páginas. Uma autobiografia, que poderia ter sido a minha autobiografia. Tirando o problema do olho da protagonista (mas incluindo outras insatisfacões com o corpo em que nasci) e o fato que meu pai nunca foi preso, além de outras pequenas diferencas. A história da vida dela é interessante e muito bem contada, parece que ela sentou um dia e escreveu o livro sem muitas pretencões. Leve e bacana. Recomendo.

Lido em sueco.

Que descoberta! Fiquei sabendo do livro de short stories de Lucia Berlin depois de ler uma resenha no jornal ou em uma revista. Comprei, li e adorei. São 43 short stories em que a autora conta sobre sua vida, a bebida, os filhos, os trabalhos, a família, a morte, os amores, as relacões, a vida. Inteligente, reflexiva, sarcástica, engracada e muito, muito sensível. Ela usa sua vida para criar ficcão, o que fica ainda mais interessante. Lucia Berlin morreu em 2004 e está agora alcancando o sucesso merece. Muito legal mesmo. Vale a pena. (Não chega ao nível de “A Little Life”, mas é muito bom)

Lido em inglês.

Quando compro livros tenho sempre uma lista inspirada em livros indicados nos jornais, na TV ou no rádio. Isso foi o que aconteceu quando comprei esse da escritora sueca Agneta Pleijel. Tinha me esquecido que até esse livro é de memórias. Muito difícil comecar um outro livro logo depois de ter lido minha querida Joyce Carol Oates. Senti um pouco a diferenca dos textos, os frases mais curtas (típico sueco, talvez escandinavo). Senti falta, no início, das reflexões sobre o que ela estava contando, como Oates fez no seu livro. Mas continuei e gostei muito desse livro também. Ela conta sobre o casamento dos pais, o desespero da mãe (estrangeira, ha!), e a frieza do pai. Ela conta de sua própria frieza e da dificuldade de relacionamento com a mãe, totalmente dependente da filha mais velha. Acabei ficando mexida. Muito bom. Também recomendo, mas acho que o livro não foi traduzido para outros idiomas. Uma pena.

Lido em sueco.

Ah, como eu adoro os livros de Joyce Carol Oates. Esse, mais um livro de memórias cujo título no original é ”The Lost Landscape: A Writer’s Coming of Age”, não me decepcionou. Joyce Carol Oates é sempre cuidadosa quando escreve sobre memórias (já li o livro que ela escreveu depois da morte do marido, Ray Smith, aqui). Não há declaracões escandalosas, apenas um contar sutil de como foram a infância, a adolescência e a juventude dela. O primeiro “conto” é sobre a galinha de estimacão dela, a chamada “galinha-feliz”. A partir daí ela reflete sobre sua infância, conta sobre a família e a escola. As amigas, os perseguidores na escola, de como ela passava o tempo, do que gostava de fazer e de ler (O favorito: “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll). Volta e meia ela reflete sobre alguma coisa que fez/fazia e eu pensava, “que interessante!”, porque eu também sou assim. É fascinante como sempre aprendo muito quando leio Joyce Carol Oates, porque ela é genial para descrever e analisar sentimentos, sensacões, tensão psicológica interna ou externa. Recomendo muito!

Lido em sueco.

Comprei esse livro do escritor queniano Ngugi wa Thiong’o no Rio, durante as férias desse ano. Fiquei empolgada por ter achado um livro em português de um autor africano, porque ainda estou meio que in love com a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, cujos livros “En halv gul sol”, “Lila hibiskus” e “Americanah”, já li e que meio que me introduziu à literatura africana. Esse é um livro de memórias da infância do autor, sobre a mãe, as escolas que frequentou, e as dificuldades da vida de um rapaz no Quênia ainda sobre o poder imperialista do Reino Unido. É aquela coisa com autobiografias: o ego do autor está sempre no caminho. Gostei de algumas histórias, cuja origem é a fascinante tradicão oral africana. Mas, achei partes do livro fracas.
Lido em português.