“Drink”

September 14, 2017

Livro muito bom da jornalista canadense Ann Dowsett Johnston. Ela fala sobre o seu alcoolismo e sua recuperacão. Fala também da política e dos interesses econômicos por traz do aumento exponencial do alcoolismo feminino na América do Norte e no mundo. Uma tendência que eu, através do meu trabalho, posso confirmar. As mulheres bebem mais e bebidas mais fortes. Não apenas um copo de vinho na sexta à noite, mas todos os dias da semana, porque ajuda a desestressar. Não apenas vinho, mas vodka com sabor doce, feitas especialmente e dirigidas para um público feminino – e jovem. O livro é realmente um “eye opener” daqueles, mesmo pra mim que não bebo, mas que trabalho com isso. A autora me fez entender os mecanismos da dependência química, física e principalmente psicológica das mulheres com relacão ao álcool. Muito interessante.

Lido em inglês.

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“April i anhörigsverige”

September 7, 2017

Susanna Alakoski é uma das minhas escritoras nativas favoritas. Ela também é, como eu, socionom (formada como assistente social antes de se tornar escritora full time) e escreve sobre questões sociais, principalmente a influência nefasta da dependência química na vida de criancas e famílias. Esse livro é sobre os familiares que estão ao lado da pessoa com a dependência química, em sueco “anhöriga”. Essas pessoas, mesmo sem ter uma dependência química própria, vivem no terror de uma pessoa próxima, que tem. Um pai, uma mãe, um irmão que não consegue viver sem álcool ou drogas e que, por isso, faz a vida de toda a família um inferno. O livro, escrito em form a de diário durante um mês, é fantástico. Forte. Às vezes forte demais. Li, interrompi por mais de um ano e retomei.

Lido em sueco.

“Glöm mig”

August 20, 2017

O jornalista sueco Alex Schulman não é um escritor, apesar de já ter publicado vários livros. Nada de errado com isso mas ele mostra nesse livro sobre sua mãe alcoolista, que ele pode contar uma história de forma interessante, mas não faz literatura. Mesmo assim, o livro é bom, mostra um retrato honesto da mãe e o que a dependência do álcool faz com uma pessoa e com toda a família. Principalmente com os filhos. Eu achei que ele conseguiu mostrar, através de lembrancas de infância, a dor de uma crianca/adolescente/filho adulto quando um pai/mãe não dá conta da família, ou não consegue tomar conta de si prório. O título do livro pode ser traduzido como “Me esquecam”, uma frase que a mãe dele disse para os filhos quando eles, já adultos, comecaram a indicar que ela precisava buscar ajuda por causa do seu alcolismo.

Lido em sueco.

Mais um livro da escritora americana Roxane Gay. Dessa vez uma autobiografia, na qual ela conta sobre um trauma que sofreu na infância e como isso a influenciou a vida inteira na relacão com seu corpo. Roxane é gorda, gordíssima. Ela fala sobre feminismo, violência, trauma, luta, auto-estima, mulheres, homens. É, como sempre, ótimo! Um livro importante para todas as mulheres e homens que lidan com questões de auto-estima, mas também para todos os outros, que talvez não tenham esse tipo de problema, mas que precisam entender os mecanismos da violência social contra as criancas, principalmente meninas, que aprendem a odiar seu corpo desde pequenas. Recomendo muito!

Lido em inglês.

”Självbiografierna”

June 21, 2017

Li muitas vezes sobre o autor austríaco Thomas Bernhard (1931 – 1989) nos diversos suplementos literários e revistas nos quais sempre procuro novos livros pra ler. Li que era sério, desiludido e genial. Resolvi então comprar um volume com os cinco livros autobiográficos que Bernhard escreveu durante os anos 70 e 80. O volume é composto por cinco livros, ”Orsaken” (Causa), ”Källaren” (Porão), ”Andhämtningen” (Respiracão), ”Kylan” (Frio) e “Ett barn” (Uma crianca). A história é simples mas a narrativa é complexa; sem parágrafos, ele conta numa corrente contínua sobre sua vida, a família e a Áustria durante a segunda guerra mundial. Resumo assim: Intenso. Vertiginoso. Escola. Desajuste, sensacão de estar de fora. Avô materno. Mãe. Áustria. Nazismo, catolicismo, ”ir na direcão contrária”, doenca, infância, desespero, arte. Fantástico!

Lido em sueco.

“Bära barnet hem”

March 22, 2017

Livro da jornalista e escritora sueca Cilla Naumann cujo título em português seria “Trazer a crianca pra casa”, mais ou menos. O verbo “bära” em sueco também quer dizer “carregar”, o que de fato seria uma traducão mais exata. Bom, o livro é uma combinacão de ficcão e diário. Cilla Naumann adotou três criancas nascidas na Colômbia. O mais velho, Adam, 20 anos, entra em contato com sua mãe biológica com a ajuda do Facebook e viaja para Bogotá para encontrá-la. Cilla vai junto. Ela alterna como foi o encontro com a história fictiva Ana, uma moca órfã e que trabalha como empregada numa casa de família em Bogotá. Ana é totalmente dedicada à crianca pequena da família. O livro é sobre o desejo da maternidade, de quem é a mãe de verdade. Não é um dos melhores livros que li mas é muito bom.

Lido em sueco.

“In gratitude”

March 18, 2017

Último livro da minha querida escritora inglesa Jenny Diski, que morreu em abril de 2016 de câncer. O livro é dividido em uma parte de memórias, em que ela conta como foi ir morar quando ela tinha 15 anos com Doris Lessing, uma parte sobre as doencas que acabariam tirando a vida dela (câncer nos pulmões diagnosticada em 2014 e, depois do tratamento, fibrose também nos pulmões) e uma terceira parte que pode ser chamada miscelânia, porque ela mistura ambos. Fala de gratidão, como o título sugere, de ingratidão, de morte, de como pessoas podem destruir outras (os pais de Jenny Diski que se destruiram mutuamente e à ela, Doris, que destruiu o filho Peter, e tudo o que aconteceu no caminho). Fiquei tão abalada quando li a parte sobre as doencas e a morte que sonhei, acordei no meio da noite em pânico e näo sabia onde estava. Forte e muito bom. Que pena que nunca mais terei Jenny Diski para ler. Vai fazer falta.

Lido em sueco.