"Da Vinci Code"

August 29, 2004

Dan Brown e seu best seller mundial. Sim, li e… detestei. Nunca vi tantos clichês juntos na minha vida (well, já sim, mas deixa pra lá). Vai ver que não gostei porque adoro “simpatizar” com os personagens de um livro. E não dá pra gostar do carinha nem da mocinha criados por Brown. Penso, por exemplo, em Adam Dalgliesh (P.D James), em Kurt Wallander (Henning Mankell), ou ainda no meu querido Holden Caufield (J.D Salinger), esses sim é que são personagens de verdade! (Mesmo sendo de mentira) :c) Esse Dan Brown tem boas idéias no que diz respeito a intrigas, mas simplesmente não sabe aprofundar o caráter de sua criação. Fica assim, tudo ligeirinho, ritmo hollywood, de plástico, botox e silicone. Blé.

Lido em inglês.

"Utrota varenda jävel"

August 23, 2004

Sven Lindqvist é um dos escritores mais respeitados na Suécia (e fora dela) sobre questões históricas-raciais. Fiquei sabendo dele por intermédio de outros livros e esse “Extermine todos os desgraçados” é uma das obras que mais causou polêmica, quando foi lançado aqui nos anos 90. A Suécia passava, então, por uma das crises sociais mais sérias de sua história, alimentada também por uma crise econômica sem paralelo. O título, inspirado pelo clássico “Heart of Darkness”, de Joseph Conrad, é um resumo da idéia dos povos colonizadores de todos os tempos. Lindqvist também é jornalista, o que faz os livros dele ainda mais legais de ler.

Lido em sueco.

Sempre é bom entender os nossos processos internos, capazes de nos levar a acreditar em certas idéias bobas, burras, sem cabimento ou completamente loucas. É isso que o psiquiatra Tomas Böhm faz nesse “Não como nós! Aspectos psicológicos de xenofobia e racismo”. Ele descreve psicologicamente como a xenofobia se instala na nossa vida.

“Quando mostro minha xenofobia contra uma pessoa, meu ódio pode ser tão evidente que me faz consciente dele. Se por outro lado meu ódio for inconsciente, posso me assustar com a reação do outro, até que ele/a me chame atenção por minhas opiniões xenofóbicas. Posso, então, me defender, negar minha xenofobia e achar que o outro é ultra-sensível e ridículo. Pergunto a outras pessoas que estavam presentes e elas dizem que eu, de fato, expressei idéias bastante radicais”.

Lido em sueco.

"Historien om Michael K"

August 3, 2004

Mais um do premiado John Maxwell Coetzee, ganhador do Nobel de 2003. Nunca li Kafka, mas tenho a impressão que esse é um livro “kafkiano” em sua essência. Acompanhamos Michael K em sua desafortunada peregrinação numa injustíssima África do Sul, a vida no buraco – literalmente. O desespero mudo e surdo dos perdidos e que nunca tiveram uma chance. Livraço. Não é a toa que o cara ganhou o Nobel, viu?

Lido em sueco.