ADORO Astrid Lindgren. ADORO. A autora sueca escreveu entre outros, Pippi Meialonga, um clássico infantil no mundo todo, além de muitos outros livros interessantérrimos. O livro contém os diários de gurra de Astrid. Foi assim: quando a segunda guerra mundial comecou em 1939 Astrid, então uma dona de casa que trabalhava como secretária em Estocolmo, comecou a escrever um diário, onde contava sobre os avancos e derrotas dos aliados, de alemães, italianos etc. Paralelamente, ela escrevia sobre sua vida, com o filho Lars, a filha Karin (que trabalhou na producão do livro) e o marido Sture. Ela escreve sobre Hitler e sobre as loucuras da guerra com uma claridade maravilhosa, de quem desde o princípio sabia o que é errado. Ela comenta o fato da Suécia ter conseguido ficar neutra, do que eles comiam, ou não, do que faziam etc. O que eu adoro é como ela escreve, o estilo, tão Astrid Lindgren, humorístico, certeiro, emocionado. Muito bom!!! Recomendo muitíssimo.

Lido em sueco.

O jornalista sueco Magnus Linton escreve um livro sobre a extrema direita europeia e quem eles detestam em três países: Noruega, Holanda e Hungria. Muito interessante como ele descreve os movimentos populares de cada país e como eles estão ligados ao ambiente político atual. Interessante e amedrontador. Gostei mas achei muito seco (acho que estou numa fase de amar ficção e não ter muita paciência com fakta ou livros-reportagens).

Lido em sueco.

“Yarden”

June 4, 2011

O autor sueco Kristian Lundberg escreve um livrão, que cabe em algumas poucas (cerca de 100) páginas. Ele descreve um período de sua vida em que, apesar de escritor/jornalista, não tinha dinheiro/trabalho e foi trabalhar nas docas da cidade de Malmö, extremo sul sueco, perto da Dinamarca (Malmö já foi, há muitos séculos, dinamarquesa) pra poder sobreviver. O livro é mágico, não pela história em si, mas pela capacidade de Lundberg de falar de assuntos tão difíceis com a dose perfeita de angústia. O que é “dose perfeita de angústia”, você pode se perguntar? Pra mim é a capacidade de deixar a sua angústia aparecer no texto sem que ele fique pesado demais, taciturno demais, hermético demais. Adorei!

Lido em sueco.

O livro da atriz e comediante sueca Mia Skäringer é um daqueles que se lê melhor durante as férias, entre um avião e outro, quando sua vida fica em suspenso num aeroporto qualquer. Foi exatamente assim que li o livro dela e gostei. Anotações rápidas e considerações honestas (e desbocadíssimas) de uma mulher com filhos, carreira, angústia e tudo mais. Gostei.

Lido em sueco.

“De apatiska”

June 1, 2010

Acabei de ler um livro sensacional. O nome é “De apatiska” (mais ou menos “Os apáticos”) e o autor é Gellert Tamas. Ele é jornalista e responsável pelo meu livro favorito no que diz respeito à história recente sueca: “Lasermannen”, sobre o qual escrevi aqui. Escrevi na resenha do “Lasermannen” que o mais fantástico foi que o autor “/…/ entrelaça à história do [protagonista] com uma verdadeira revisão da situação político-econômica da Suécia /…/”.

Nesse “De apatiska” Gellert Tamas faz mais ou menos o mesmo. Ele conta, dia após dia, os acontecimentos sociais e políticos de três anos da história sueca, de 2004 a 2006. Durante esses anos perto de 200 crianças – na Suécia com suas famílias que haviam pedido asilo – de repente começaram a mostrar sinais de depressão profunda, que no final as levava a desistir de todo o contato humano. Elas foram então chamadas de “apáticas”. Essas crianças, de 8, 9 ou 10 anos de idade, se deitavam, fechavam os olhos, deixavam de falar, de comer, não podiam mais controlar os movimentos intestinais. Era como se tivessem desistido de viver.

Recomendo demais. Leia mais sobre o livro no meu blog.

Lido em sueco.

A tradução do título do livro do jornalista americano Michael Greenberg é “O dia em que minha filha enlouqueceu” (no original, em inglês, “Hurry Down Sunshine”). Li sobre o livro no meu jornal, fui ver do que se tratava, e era a história real da psicose que a filha dele, Sally, de 15 anos, sofreu no final dos anos 90. Bem contado, boas elucubrações dele sobre a doença da filha, mas alguma coisa falta, acho eu. Mais informação sobre a doença, mas conexões literárias (ele diz que escritores que sofreram do mesmo mal, mas não desenvolve nada, só cita). Legal. Nada mais.

Lido em sueco.

Acabei de acabar de ler o primeiro volume publicado com os diários de Joyce Carol Oates, uma das minhas escritoras favoritas. O que eu gosto nela? A intensidade, a energia quase maníaca de se jogar num livro e criar um mundo paralelo, através da linguagem. Ler um livro (bom) dela é como aprender um novo idioma, é entrar num vórtex de personagens e acontecimentos que não deixa você sair até chegar o fim da última página. O diário é assim também, apesar de não ser tão intenso. São tantas as passagens interessantes que vou ter que reler. Adorei.

Lido em inglês.