Adorei o livro de Junot Díaz, que conta a história de Oscar, um rapaz dominicano-americano (como o autor), virgem, gordo e infeliz. Quer dizer, conta a história dele e de todos ao redor dele. Da maldição familiar (o chamado fukú dominicano), da mãe que morre de câncer, da irmã com dificuldade em settle down, da avó que não é avó e da República Dominicana, com sua história política sangrentíssima. Trágico? Não. Muito engraçado. Díaz escreve muitíssimo bem, mistura espanhol com inglês sem nenhum pudor (o autêntico spanglish, adoro!) e faz um livro leve, informativo (cheio de notas de página interessantérrimas) e muito… hum, como dizer… acho que a palavra aqui é “dinâmico”. Olha que legal: o autor ensina Creative Writing no MIT (daí suas inúmeras referências a ficção científica, imagino). Ah, sim. O livro ganhou o Pulitzer de ficção em 2008. Recomendo muito!

Lido em inglês.

O livro de Barack Obama é ótimo. Melhor do que ótimo, fantástico. Acho, no entanto, que o título original em inglês “Dreams from My father”, os sonhos do meu pai, não faz justiça ao livro. Fica uma coisa muito vaga. Acho que o título deveria envolver a palavra “descoberta”. Isso porque Barack, durante o livro todo, se descobre continuamente nos mais variados papéis que a sociedade exige que ele cumpra. Como Barry pros avós maternos (brancos), e com quem morou grande parte da vida, como negro nos EUA, como Barack pra comunidade carente do South Side em Chicago e, finalmente, como o filho pródigo que retorna à casa, quando ele visita o Quênia e a família paterna.

O livro cobre a infância de Barack nos EUA e na Indonésia, sua adolescência entre amigos ricos (e quase sempre brancos) numa escola exclusiva no Havaí, e parte de sua vida adulta em Chicago, onde ele trabalhou como organizador, uma espécie de trabalho social em que a pessoa é contratada por uma ONG para mobilizar a comunidade com o intuito de conseguir melhorias locais. Aí, depois disso tudo, vem o capítulo da África, em que Barack foi visitar sua família paterna e, mais uma vez, descobrir quem ele é de verdade.

No meio dessas viagens todas está um homem com uma mãe branca e um pai africano, ausente, que ele nunca encontrou a não ser por uma vez, aos 11 anos de idade. A família materna deu à Barack uma metade do quebra-cabeça. A outra metade, ele tentou descobrir por conta própria, indo trabalhar numa área pobre de Chicago, onde a maioria da população é negra. E, depois, com a viagem ao Quênia, onde o resto das peças do quebra-cabeça se encaixaram.

Fiquei empolgada quando reparei, depois das primeiras páginas, que o livro é muito bem escrito. As histórias vêm uma atrás da outra, as lembranças, os acontecimentos, as decisões e, principalmente, as elucubrações de Barack, durante o processo de autoconhecimento. Tudo bem escrito, ritmado, bonito. Leio sempre à noite, antes de dormir, pra relaxar. O que geralmente acontece é que vou ficando com sono e, acabo dormindo. Com esse livro, no entanto, não consegui relaxar. As histórias eram simplesmente boas demais.

Vou contar uma coisa pra vocês: esse cara é bom demais. Só não digo que ele é perfeito porque ele fuma. Sinceramente, não é todos os dias em que a maior potência do planeta tem como presidente um homem capaz de se perguntar quem ele é, um cara que se interessa pelo sentido das coisas, enfim, uma pessoa com consciência. Tomara que ele sobreviva – literalmente – às pressões do cargo que assumiu.

Lido em sueco.

“Lar,”

July 1, 2009

Lar

Preciso dizer? Compre. Vale a pena.