Nem sei o que dizer sobre esse livro do professor de antropologia social Thomas Hylland Eriksen, da Universidade de Oslo. Acho “Terrorismo cultural” simplesmente ge-ni-al. O excepcional é o autor, um homem evidentemente cultíssimo, que já deve ter lido MUITOS livros. Esse livro é o resultado de anos de estudos, leituras, muito pensamento e idéias originais. Um exemplo:

“(…) fascismo é ter amigos íntimos, uma cidade natal e uma família, mas não ter capacidade de entender que outras pessoas, em outros locais, possam ter amigos, uma cidade natal e família – e ter uma vida rica e interessante, mesmo sendo diferente.”

E por aí vai. Leia! Leia! Leia! Läs! Läs! Läs!

Lido em sueco.

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Elsie Franzén arrasa quarteirão com esse livro liiiindo, cheio de insigts maravilhosos e muita experiência de primeira-mão com gente que largou tudo e mudou de país, como diz o título. Uma das melhores leituras que fiz desde que cheguei e me vi nessa situação de imigrante, querendo plantar umas raizesinhas aqui e ali mas sem saber exatamente como ou onde começar. Sensacional.

Lido em sueco.

Mais um fascinante livro sobre os suecos e sua cultura “pura”. Só quem lê livros assim é que pode sentar no sofá e rir dos neo-na****as que dizem querer conservar a Suécia e suas tradições. Em “Mil anos de imigração – uma história cultural sueca”, Ingvar Svanberg e Mattias Tydén mostram a construção da sociedade sueca com a presença constante dos imigrantes.

Exemplos: os huguenotes franceses que vieram pra cá no século XVII; a imigração em massa de finlandeses e de povos do Báltico durante a grande guerra nórdica (1700 a 1721); a chegada de alemães protestantes no meio do século XVIII; refugiados poloneses por volta de 1860; refugiados judeus-russos na virada do século; judeus, povos dos países nórdicos e do Báltico durante a Segunda Guerra Mundial; refugiados advindos da Hungria em 1956; da Tchecoslovaquia em 1968; do Chile nos anos 70; os refugiados vindos de barco no início dos anos 80; do Irã também vindos nos anos 80; e os refugiados da antiga Iugoslávia nos anos 90.

Lido em sueco.

Seija Wellros descreve em seu “Idioma, cultura e identidade social” tudo o que senti nos meus primeiros tempos de Suécia (e, confesso, de quando em vez ainda sinto). Seija Wellros imigrou da Finlândia para a Suécia há mais de 30 anos e se tornou professora de sueco para imigrantes e, mais tarde, psicóloga. Ela define choque cultural como:

“uma sensação de um caos cognitivo ameaçador e contínuo que acontece graças à falta por parte dos imigrantes de confiáveis instrumentos de tradução e pontos de referência fixos. Esse choque é vivido por todos os que se mudam, durante longo ou curto período de tempo, para um novo ambiente, e pode ter intensidades variadas. (…) Aquele que se muda para um novo país sente ao mesmo tempo o choque de se tornar “surdo-mudo”, quando não entende o que se diz nem pode se fazer entender no idioma local.”

Lido em sueco.