“In gratitude”

March 18, 2017

Último livro da minha querida escritora inglesa Jenny Diski, que morreu em abril de 2016 de câncer. O livro é dividido em uma parte de memórias, em que ela conta como foi ir morar quando ela tinha 15 anos com Doris Lessing, uma parte sobre as doencas que acabariam tirando a vida dela (câncer nos pulmões diagnosticada em 2014 e, depois do tratamento, fibrose também nos pulmões) e uma terceira parte que pode ser chamada miscelânia, porque ela mistura ambos. Fala de gratidão, como o título sugere, de ingratidão, de morte, de como pessoas podem destruir outras (os pais de Jenny Diski que se destruiram mutuamente e à ela, Doris, que destruiu o filho Peter, e tudo o que aconteceu no caminho). Fiquei tão abalada quando li a parte sobre as doencas e a morte que sonhei, acordei no meio da noite em pânico e näo sabia onde estava. Forte e muito bom. Que pena que nunca mais terei Jenny Diski para ler. Vai fazer falta.

Lido em sueco.

Adorei! Livro da mexicana Guadalupe Nettel (em si já um mérito; adoro o México e gostaria muito de saber espanhol de forma correta para poder ler no original), cujo título pode-se traduzir como “o corpo em que nasci”. Livro pequeno, mais ou menos 200 páginas. Uma autobiografia, que poderia ter sido a minha autobiografia. Tirando o problema do olho da protagonista (mas incluindo outras insatisfacões com o corpo em que nasci) e o fato que meu pai nunca foi preso, além de outras pequenas diferencas. A história da vida dela é interessante e muito bem contada, parece que ela sentou um dia e escreveu o livro sem muitas pretencões. Leve e bacana. Recomendo.

Lido em sueco.

Li para o meu círculo de livros. Trata-se de um romance criminal, o que já indica que não é um livro para mim. Já li muitos romances desse tipo, há anos atrás, de fato já teve uma época em que só gostava de ler isso. Acho que agora cansei para todo o sempre. De qualquer forma, nesse livro, que não é de todo mal, fica-se sabendo sobre o protagonista, um policial meio sem rumo e com dependência química, e de como a vida passada dele influencia a violência que acontece em volta dele no presente. O título do livro pode ser traduzido como “O homem invisível de Salem”. Só que invisível só tem o nome. Não sei se o autor, Christoffer Carlsson, tinha como objetivo manter o leitor em suspense e não contar a identidade do malvadão, mas fica claro desde as primeiras páginas quem faz o quê, quando e com quem. Chato.

Lido em sueco.

É um dos livros mais feministas que já li, exatamente porque fala sobre o espaco extremamente estreito dado ao comportamento feminino dentro do que é normal e do que é anormal. O título do livro é “A diva ferida: sobre a estética da psique” e Karin Johanisson escreve sobre três mulheres, as suecas Agnes von Krusenstjerna, escritora, e Sigrid Hjortén, artista, e a alemã-sueca Nelly Sachs, escritora e ganhadora do Nobel de literatura em 1966. A partir das três ela discute os diagnósticos que elas receberam dos médicos da época, histeria (Agnes), esquizofrenia (Sigrid) e paranóia (Nelly). Interessantérrimo porque duas delas (Agnes e Sigrid) se rebelaram contra os costumes da época (século XX), casamento, o que se espera das mulheres em termos de comportamento e aceitância em relacão à sociedade em geral. Muito bom, mesmo que tenha achado o livro um pouco repetitivo, principalmente na parte dedicada à Agnes von Krusenstjerna.

Lido em sueco.

Ah, esses livros da classe altíssima inglesa! Você comeca a ler e nunca sabe onde vai parar. Pode ser nos salões mais requintados da côrte ou num gueto sórdido. Adoro! Essas novelas do britânico Edward St Aubyn são um exemplo dessa variedade. Tem de tudo do pior num mundo onde se tem acesso a tudo o que há de melhor. Um resumo: romance semi auto-biográfico sobre um menino nascido rico num casamento péssimo. A mãe, rica e fraca, dominada pelo terror que sentia pelo marido, foge do filho e não é simplesmente good enough. O pai, um pedófilo desgracado, infeliz, sarcástico e verdadeiramente cruel, faz a vida do garoto um inferno na terra. A partir daí, a história se desenvolve, com uso de drogas pesadíssimas (ninguém sai ileso de uma infância como a de Patrick Melrose), acidez, a busca pelo amor que parece impossível, a paternidade e a discussão de como todos nós temos que, um dia, crescer de verdade, e parar de anciar por uma eterna compensacão emocional (tröst). Os livros são fenomenais. ADOREI. Recomendo!

Lido em inglês.

“Den allvarsamma leken”

January 10, 2017

Um clássico sueco, escrito por Hjalmar Söderberg em 1912. Já tinha ouvido falar do livro em diversas ocasiões, ainda mais porque o texto volta e meia ganha uma versão para o teatro com atores suecos interessantíssimos. Mas, como minha vida cultural é reduzidíssima, tenho que me contentar apenas com o livro. E que livro! Conta a história de Lydia e Arvid, que se apaixonam, ou quase. Passam-se anos, o amor “reacontece”, assim como a traicão e o desencantamento. O interessante é que não é Arvid quem trai sem consciência. É um livro sobre a busca feminina da liberdade sem julgar o que acontece quando ela escolhe deixar tudo pra trás para viver a vida como quer. Muito moderno e ainda muito atual. Devorei em alguns dias, numa edicão dos anos 60 e com palavras deliciosamente antiquadas. Adorei!

Lido em sueco.

Todo mundo já leu, mas eu, como sempre, vou contra a corrente e não me deixo levar pelos modismos. Por isso é que demorei para ler esse, cujo título quer dizer “Minha amiga fantástica”. Sou cabeca-dura mesmo. E, às vezes, me ferro. Como nesse caso. Esse é o primeiro livro de uma série da escritora italiana “Elena Ferrante” (o nome é um pseudônimo). A verdadeira identidade da escritora já foi divulgada mas me nego repetir porque gosto do mistério e não acho que seja importante quem escreveu o livro; apenas que o livro é muito bom. E é mesmo. O livro é muito bom porque faz com que você mergulhe numa parte de Nápoles dos anos 50 de uma forma total. A história é contada por Elena Greco, que narra sua vida nesse livro da infância até a adolescência junto à amiga, Lila Cerrullo, fenomenal em todos os sentidos. No livro fica claro a competicão entre duas meninas que se amam e que precisam uma da outra pra sobreviver num mundo limitado e machista. Recomendo muito. Vou ler todos os outros com certeza.

Lido em sueco.