O livro da jornalista e escritora finlandesa Märta Tikkanen, originalmente publicado em 1978, é um clássico por essas bandas. O título pode ser traduzido como “A história romantica do século” e é de poesias, escritas por Märta durante noites e madrugadas de angústia por conta do alcoolismo do marido, o famoso (por aqui) escritor Henrik Tikkanen. São poemas escritos com amor e raiva monumentais por um homem que não compreende a família que tem, é totalmente consumido pelo álcool e por uma vida emocional turbulentíssima. O mais bonito é o conflito dessa vida dela: o amor e o desprezo que ela sente pelo homem da sua vida. Nunca vivi num relacionalmento desse calibre (ainda bem), mas como mulher me identifico com as dores da escritora, totalmente sozinha com quatro filhos, sem tempo para sua vida profissional, frustrada e emocionalmente acabada. Muito bonito e emocionante. Uma obra feminista poética e fortíssima. O livro foi traduzido para 20 línguas, quem sabe há algum exemplar por aí em português? Lido para o meu “book club”.

Lido em sueco.

Que descoberta! Fiquei sabendo do livro de short stories de Lucia Berlin depois de ler uma resenha no jornal ou em uma revista. Comprei, li e adorei. São 43 short stories em que a autora conta sobre sua vida, a bebida, os filhos, os trabalhos, a família, a morte, os amores, as relacões, a vida. Inteligente, reflexiva, sarcástica, engracada e muito, muito sensível. Ela usa sua vida para criar ficcão, o que fica ainda mais interessante. Lucia Berlin morreu em 2004 e está agora alcancando o sucesso merece. Muito legal mesmo. Vale a pena. (Não chega ao nível de “A Little Life”, mas é muito bom)

Lido em inglês.

“The Green Road”

October 22, 2016

Primeiro livro da escritora irlandesa Anne Enright que leio depois de ver muitas resenhas ótimas e de assistir a uma entrevista dela num programa de livros na TV sueca. Mas, me decepcionei. O livro conta a história da família Madigan, os filhos Dan, Hanna, Emmet och Constance, e da mãe Rosaleen. O pai existe mas morre logo. O interessante é que Anne Enright descreve cada filho em um capítulo separado, Hanna nos anos 80, Dan nos anos 90 (em Nova York, no ápice da epidemia de AIDS), Emmet (na África, trabalhando para ONGs) e Constance na primeira década de 2000. Dessa parte eu gostei, mesmo perdendo algumas referências culturais irlandesas e americanas. No final, todos os filhos se reúnem na casa de Rosaleen pro Natal. A mãe é uma pessoa difícil e egoista. Fica claro que ela não sabia como amar os filhos sem se colocar no centro, sempre. O livro é bom; fica claro a dificuldade dos filhos em ter uma vida emocional equilibrada depois de uma vida com uma mãe não acessível emocionalmente. Mas mesmo assim achei o livro “ligeiro” demais. Anne Enright escreve bem sobre personagens interessantes mas não desenvolve cada personagem como deveria, na minha opinião. Fiquei frustrada quando acabei de ler.

Lido em inglês.

Biografia do jornalista dinamarquês Jens Andersen sobre a grande escritora sueca de livros infantis, Astrid Lindgren. Foi ela a criadora do clássico mundial Pippi Meialonga. No Brasil ela não é tão conhecida, mas na Europa ela é uma gigante. Astrid faleceu em 2002, muito velhinha, depois de uma vida interessantíssima, que inclui um filho nascido fora do casamento nos anos 20 (uma vergonha para uma família como a dela) e muitas mudancas. Interessantíssimo saber como Astrid, ainda crianca, escrevia lindamente (pode-se ler alguns trexos dos trabalhos dela de escola) e de como o interesse dela pela natureza sueca se traduz em praticamente todos os seus livros. Adoro todos os livros dela que li junto com meus filhos, “Pippi Långstrump” (claro), “Emil i Lönneberga”, “Ronja Rövardotter”, “Madicken”, “Mio min Mio” och “Karlsson på taket”. Li, ainda quando estava aprendendo sueco, “Bröderna Lejonhjärta”, e foi um choque. O livro är lindo mas bastante diferente dos livros para criancas que eu estava acostumada naquela época (não conto pra não estragar pra quem ainda não leu e pretende ler). A biografia är muito fácil de se ler e interessante. O que eu não gostei muito foi que o autor, que já escreveu várias outras biografias, não analisa nada a fundo. Tudo é ligeiramente aprensentado, o que é bom, interessante, mas meio superficial. Recomendo mesmo assim.

Lido em sueco.

“A Little Life”

September 27, 2016

Um dos melhores livros que já li na minha vida. Chorei duas vezes (um recorde). Conta a história de Jude, Willem, JB e Malcolm, quatro amigos que se encontram na universidade e seguem amigos a vida inteira. O estilo de Hanya Yanagihara é fenomenal, com vozes diferentes e uma fluência incrível entre tempos e personagens. É uma história sobre broken people, amizade, amor, destruicão, e talvez esperanca. Vale MUITO a pena ler. Sinto inveja de quem ainda não leu e tem maravilhosas mais de 800 páginas pela frente. Tive uma sorte danada: o livro me foi presenteado pelo meu marido, que estava viajando e entrou numa livraria do aeroporto pra me comprar um presentinho. A vendedora disse que esse livro estava sendo muito bem recomendado. E ele comprou. Que sorte! Obrigada vendedora!

Lido em inglês.

“Himmelsdalen”

August 28, 2016

Li esse título da escritora sueca Marie Hermanson para o meu círculo de livros e gostei muito. Sobre dois irmãos gêmeos, Max e Daniel. Um que dominava o outro completamente, por razões que leveram o dominador a acabar em Himmelsdalen, no meio dos alpes suícos. Fica-se sabendo da infância dos dois, de como a vida os separou. Mas o interessante é que o leitor sabe tanto quanto o irmão dominado, o que quer dizer, quase nada. E vai-se descobrindo pouco a pouco o que na realidade acontece, o que é Himmelsdalen? Quem são essas pessoas? Por quê elas estão aqui? O livro é um thriller da melhor qualidade. Daria um filme ótimo!

Lido em sueco.

“Smärtbäraren”

August 21, 2016

Gosto muito dos livros da escritora e terapeuta sueca Åsa Nilsonne. Ela descreve nesse aqui, um livro de ficcão, o caso de Ada Zach, uma jovem de 24 anos com uma capacidade incrível: ela pode se transportar do seu corpo para qualquer outro corpo e ajudar a pessoa. Ela trabalha numa clínica de cirurgia plástica e ajuda as clientes se livrar de problemas de peso, dores e até problemas psicológicos. Quando a cliente está saudável e em equilíbrio, Ada sai do corpo e a cliente pode ser operada. Aí um dia ela aceita uma cliente que parece fácil, mas não é. Mas o melhor do livro não é a história em si. Åsa Nilsonne não é uma escritora cujo estilo é fantástico. Ela escreve bem, claro, mas nada fora do comum. O que é legal aqui é que ela analisa a cliente, através dos comentários de Ada, e comenta como é incrível que as pessoas não oucam seus corpos e mentes, não tomem cuidado com sua saúde mental e física. Não, não é chato, é triste. Gostei muito do livro.

Lido em sueco.