“Himmelsdalen”

August 28, 2016

Li esse título da escritora sueca Marie Hermanson para o meu círculo de livros e gostei muito. Sobre dois irmãos gêmeos, Max e Daniel. Um que dominava o outro completamente, por razões que leveram o dominador a acabar em Himmelsdalen, no meio dos alpes suícos. Fica-se sabendo da infância dos dois, de como a vida os separou. Mas o interessante é que o leitor sabe tanto quanto o irmão dominado, o que quer dizer, quase nada. E vai-se descobrindo pouco a pouco o que na realidade acontece, o que é Himmelsdalen? Quem são essas pessoas? Por quê elas estão aqui? O livro é um thriller da melhor qualidade. Daria um filme ótimo!

Lido em sueco.

“Smärtbäraren”

August 21, 2016

Gosto muito dos livros da escritora e terapeuta sueca Åsa Nilsonne. Ela descreve nesse aqui, um livro de ficcão, o caso de Ada Zach, uma jovem de 24 anos com uma capacidade incrível: ela pode se transportar do seu corpo para qualquer outro corpo e ajudar a pessoa. Ela trabalha numa clínica de cirurgia plástica e ajuda as clientes se livrar de problemas de peso, dores e até problemas psicológicos. Quando a cliente está saudável e em equilíbrio, Ada sai do corpo e a cliente pode ser operada. Aí um dia ela aceita uma cliente que parece fácil, mas não é. Mas o melhor do livro não é a história em si. Åsa Nilsonne não é uma escritora cujo estilo é fantástico. Ela escreve bem, claro, mas nada fora do comum. O que é legal aqui é que ela analisa a cliente, através dos comentários de Ada, e comenta como é incrível que as pessoas não oucam seus corpos e mentes, não tomem cuidado com sua saúde mental e física. Não, não é chato, é triste. Gostei muito do livro.

Lido em sueco.

“Ett eget rum”

August 18, 2016

Mais uma obra feminista! Já li Virginia Woolf antes, “Mrs. Dolloway” e gostei muito. Mas às vezes os textos de Virginia Woolf são complicados, as frases compridíssimas, as idéias complicadas. A leitura pede concentracão completa, o que eu nem sempre consigo oferecer. Mas esse aqui, cujo título no original é “A room of one’s own”, vale a pena se esforcar. Não é ficcão – ou pelo menos não completamente – é um discurso que Virginia Woolf fez na década de 1920 num dos colleges em Oxbridge, sobre mulheres e literatura. É fascinante. Ela faz um meta-texto e conta como foi difícil fazer pesquisa sobre o assunto já que as mulheres, por exemplo no século XVIII, não podiam escrever porque não tinham tempo por trabalhar demais em casa, cuidar de todas as criancas, ou não tinham dinheiro porque não tinham direito de trabalhor ou, quando trabalhavam, não recebiam salários, que iam direto para seus maridos etc etc. A teoria dela – com a qual eu concordo – é que para que as mulheres possam escrever de forma livre e criativa, elas precisariam de uma renda fixa (“500 libras por ano”, em valores da época) e um quarto/sala onde pudessem se trancar, sem ninguém batendo na porta e interrompendo. O texto foi publicado pela primeira vez em 1929. Ah, Virginia, se você soubesse que o mundo mudou desde então, mas que muitas mulheres ainda vivem impossibilitadas de terem a room of one’s own.

Lido em sueco.

Panfleto baseado num discurso da minha querida e amada Chimamanda Ngozi Adichie, cujo título no original é ”We should all be feminists”. Concordo. Deveríamos mesmo. Interessante os pontos-de-vista dela (Chimamanda sempre é interessante), mesmo sendo bem “básicos”. Foi justamente por isso que uma série de ONGs e parcialmente também o governo sueco ofereceram o livro de graca a 100 000 estudantes do ginásio daqui. A idéia é fenomenal porque o livro levanta idéias básicas näo apenas do feminismo, como da necessidade do mundo ser mais igualitário entre homens e mulheres. Muito bons, tanto a idéia de dar o livro de graca para estudantes (só no primeiro mundo!) e o livro em si.

Lido em sueco.

Quando compro livros tenho sempre uma lista inspirada em livros indicados nos jornais, na TV ou no rádio. Isso foi o que aconteceu quando comprei esse da escritora sueca Agneta Pleijel. Tinha me esquecido que até esse livro é de memórias. Muito difícil comecar um outro livro logo depois de ter lido minha querida Joyce Carol Oates. Senti um pouco a diferenca dos textos, os frases mais curtas (típico sueco, talvez escandinavo). Senti falta, no início, das reflexões sobre o que ela estava contando, como Oates fez no seu livro. Mas continuei e gostei muito desse livro também. Ela conta sobre o casamento dos pais, o desespero da mãe (estrangeira, ha!), e a frieza do pai. Ela conta de sua própria frieza e da dificuldade de relacionamento com a mãe, totalmente dependente da filha mais velha. Acabei ficando mexida. Muito bom. Também recomendo, mas acho que o livro não foi traduzido para outros idiomas. Uma pena.

Lido em sueco.

Ah, como eu adoro os livros de Joyce Carol Oates. Esse, mais um livro de memórias cujo título no original é ”The Lost Landscape: A Writer’s Coming of Age”, não me decepcionou. Joyce Carol Oates é sempre cuidadosa quando escreve sobre memórias (já li o livro que ela escreveu depois da morte do marido, Ray Smith, aqui). Não há declaracões escandalosas, apenas um contar sutil de como foram a infância, a adolescência e a juventude dela. O primeiro “conto” é sobre a galinha de estimacão dela, a chamada “galinha-feliz”. A partir daí ela reflete sobre sua infância, conta sobre a família e a escola. As amigas, os perseguidores na escola, de como ela passava o tempo, do que gostava de fazer e de ler (O favorito: “Alice no país das maravilhas”, de Lewis Carroll). Volta e meia ela reflete sobre alguma coisa que fez/fazia e eu pensava, “que interessante!”, porque eu também sou assim. É fascinante como sempre aprendo muito quando leio Joyce Carol Oates, porque ela é genial para descrever e analisar sentimentos, sensacões, tensão psicológica interna ou externa. Recomendo muito!

Lido em sueco.

Ah, essa mania nativa de ler livros com histórias criminais. Até eu gostava, pouco depois de me mudar pra cá, quando ainda estava aprendendo sueco. Mas agora cansei. Li esse livro para o meu circulo de livros e porque fui voto vencido. Os autores, os suecos Anders Roslund e Börje Hellström, até que são interessantes: Roslund é jornalista enquanto Hellström tem experiência própria de criminalidade e uso de drogas, mas está rehabilitado. Eles sempre escrevem romances criminais e levantam uma questão social. Nesse livro a discussão é sobre a pena de morte e o desejo de vinganca. O estilo é muito aberto e convidativo, o que ajuda a dupla a obter muito sucesso com seus livros. O protagonista é o comissário de polícia Ewert Grens (50-60 anos, vida pessoal infeliz, dedicado ao trabalho, bebe demais, fuma demais, come mal e é deprimido, típico personagem policial por aqui), lidera um time de investigacão que tenta colocar na cadeia John Schwartz, um canadense radicado na Suécia e que atacou violentamente um homem. Só que John Schwartz não é quem eles pensam.

Lido em sueco.