O segundo de Susanna Alakoski que leio. Ela é sueco-finlandesa e trabalhou muitos anos como assistente social. Adorei esse, cujo título é mais ou menos “Espero que goste da prisão”, assim como adorei o primeiro. Susanna Alakoski escreve com tanta intensidade que os livros dela são daqueles que não dá pra largar. Ela tem uma “voz” distinta em cada livro, o que me agrada demais. Nesse, Anni escreve sobre sua vida, sobre o irmão Sami, que acaba na prisão. Os temas dela são os mesmos do primeiro livro – pais e mães que bebem demais e não conseguem criar os filhos de forma adequada. Eu adoro Alakoski. Tanto que já comprei o terceiro livro dela que vou me dar de natal. A nota só pode ser alta. S.Alakoski merece muitos corações.
Lido em sueco.

Livro de Qaisar Mahmood, nascido no Paquistão mas criado no subúrbio de Tensta, pertinho de Estocolmo. Qaisar visita várias cidades suecas com sua motocicleta pra descobrir o que é ser sueco, já que ele, apesar de ter vivido quase a vida inteira aqui, ainda não se sente sueco. Ele, que tem um trabalho muito bem pago, acredita que não basta conquistar sucesso na carreira pra ser considerado um cidadão. Mas o livro não é negativo, muito pelo contrário. É muito generoso tanto com suecos como com imigrantes e chega a conclusões interessantes sobre essa coisa complicada que é identidade. Eu li com uma lapiseira ao lado porque gostei demais de diversas passagens do livro. Recomendo (pra quem pode ler sueco, lógico).

Lido em sueco.

Livro do ceramista britânico Edmund de Waal que conta a história da família dele, os Ephrussi, judeus de Odessa (Ucrânia) que depois se espalharam por Viena, Paris e Londres. O que me chamou atenção para esse livro foi que Edmund de Waal conta a história da família ao seguir o percurso de uma coleção muito especial: os chamados “netsuke”, esculturas mínimas feitas em diversos materiais, como pedra ou madeira, que chegou às mãos dele depois de fazer parte da história da família durante mais de um século – foram inclusive salvos dos nazistas graças à inteligência de uma empregada que nunca abandonou a casa em Viena. É uma história sobre pessoas, dinheiro, arte, judaísmo e perseguição. Muito bacana. O título faz referência a um netsuke em especial, um coelho com olhos de âmbar.

Lido em sueco.