“Dois irmãos”

April 20, 2016

Ganhei o livro de Milton Hatoum de natal do meu pai. Já tinha ouvido falar dele, mas nunca tinha lido seus livros. Gostei. Gostei muito. Adorei entrar no universo oral do norte do Brasil, as expresses, os nomes, o tom da pele. Adorei ler e reler as descricões sobre as construcões de Manaus no início o no meio do século passado. Gostei da tensão entre os irmãos, da mãe (mais uma mãe louca e completamente inconsequente, responsável pela divisão da família), do pai (carente e que nunca deixa de ser um rapaz apaixonado e não dá espaco à mãe), da empregada (criada com a família, mãe do narrador da história, um filho não reconhecido de um dos irmãos) e dos irmãos, claro. Dentro de tudo isso, muita violência, desonestidade e animosidade. Adorei. Quase consegui sentir o cheiro do Brasil daqui de longe. Saudades.

Lido em português.

“Purity”

April 1, 2016

Meu querido Jonathan Franzen, de quem já li tanto. Sim, já li vários livros dele e esse é o que gostei menos. É a história de Purity, uma moca meio alquebrada, da mãe, mucho loca, do pai (não conto mais pra não estragar a história) e de um rapaz alemão, Andreas, também mucho mucho loco. O passado e o futuro dessas pessoas todas estão entrelacados. Não posso deixar de observer e achar interessante como Franzen descreve as mães no livro. A mãe de Purity, cujo retrato é contato pelo pai dela, e a mãe de Andreas, valem um livro só pra elas. E é exatamente isso que adoro nos livros de Jonathan Franzen: a capacidade dele de observar, descrever o comportamento humano, analizar, e tirar conclusões interessantíssimas sobre a condicão humana. Aprendo sempre, muito, quando leio livros dele. Mas essa história me decepcionou. Leia pra aprender mais sobre o que é ser humano, mas não pela história em si, que é fraca. Mesmo assim, ele ganha quatro coracões porque ele é meu querido.

Lido em inglês.