"Patrioter"

October 16, 2006

O romance de Astrid Trotzig é assustador. Conta a história de um rapaz envolvido com o movimento neo-nazista sueco. Trotzig escreve sobre ódio, desespero, solidão e (falta de) amor. Paralela à história principal, conta-se a história da mãe dele, vinda da Finlândia durante a Segunda Guerra Mundial, quando milhares de crianças finlandesas foram mandadas pra famílias adotivas suecas para evitar as bombas russas. Algumas voltaram pros pais depois de 1945, outras nunca mais sairam daqui. Livraço. Espetacular.

Lido em sueco.

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"Kiffe kiffe imorgon"

October 11, 2006

O livro de Faïza Guène conta a história de Doria, uma menina de 15 anos que vive com a mãe num apartamento em um banlieu parisiense. O pai abandonou a família porque Doria era a única filha e… não era do sexo masculino. A linguagem é extremamente fácil e rápida. Às vezes ficava até irritada como coisas interessantes da trama que eram meio que deixadas pra trás, sem muita consideração. Um choque, depois de ler o cuidadíssimo “On Beauty”.

Lido em sueco.

"On Beauty"

October 7, 2006

Amei o mais novo livro de Zadie Smith, que já é uma das minhas autoras favoritas. Esse “On Beauty” é a história de duas famílias, os liberais Belsey e os tradicionais Kipps, se encontrando e se desencontrando em uma cidade universitária na região de Boston. Enquanto os personagens são ótimos, a história é menos fácil de se gostar.

O “problema” é que Zadie Smith dá a impressão de não estar com a menor pressa em contar a história. Ela vai desvendando uma coisa aqui, outra ali, devagar. Muito de-va-gar. Lá pelo meio do livro, de mais de 400 páginas, perde-se um pouco a paciência. Não foi a toa que demorei um mês para terminá-lo. Tentei inclusive interromper a leitura, mas como já estava fascinada pelo estilo da escritora inglesa, continuei.

Mas, por favor, não deixe que esse pequeno detalhe tire sua vontade de ler o livro. Acredite, tudo nessa novela é interessante. Zadie Smith faz tudo ficar interessante.

O que eu gosto de Zadie Smith é que ela constrói delicadamente seus personagens e, paralelamente à narrativa, faz comentários sobre política, acontecimentos sociais, e até mesmo observações detalhadas sobre comportamento feminino e masculino. É show de bola. Fico imaginando Zadie Smith calada, interagindo com as pessoas de sua vida como uma observadora fantástica. Quem me dera ter um estilo maravilhoso assim.

Algumas pérolas:

“‘Well’, said Zora, faltering a little. Her contempt for Claire was like a black backing on a mirror, the other side reflected immense personal envy and admiration.” (p. 218)

“And were they still like that, she wondered – these new girls, this new generation? Did they still feel one thing and do another? Did they still only want to be wanted? Were they still objects of desire instead of – as Howard might put it – desiring objects? Thinking of the girls sat cross-legged with her in this basement, of Zora in front of her, of the angry girls who shouted theyr poetry from the stage – no, she could see no serious change. Still starving themselves, still reading women’s magazines that explicitly hate women, still cutting themselves with little knives in places they think can’t be seen, still faking their orgasms with men they dislike, still lying to everybody about everything.” (p. 226)

E, finalmente:

“The greatest lie ever told about love is that it sets you free.” (p. 424)

Lido em inglês.