“Maken”

October 29, 2017

Segunda vez que li o clássico da autora sueca Gun-Britt Sundström, dessa vez para o meu círculo de livros. Gostei mais ainda. Na primeira leitura fiquei irritada com a protagonista, Martina, uma moca típica dos anos 70, lutando para ser liberada, livre o solta do patriarcado e das convencões sociais, principalmente do casamento (o que é engracado já que o título do livro pode ser traduzido como “O marido”). Ela me pareceu uma chata de galocha e indecisa. Agora, nessa releitura, mudei de opinião. O livro continua muito bom, a prosa flui muito bem, mas Martina mudou pra mim. Agora o que sinto por ela é pena – pena dela estar no meio de dois mundos: o convencional com família etc e o moderno, com liberdade, mas com solidão.

Lido em sueco.

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“Den allvarsamma leken”

January 10, 2017

Um clássico sueco, escrito por Hjalmar Söderberg em 1912. Já tinha ouvido falar do livro em diversas ocasiões, ainda mais porque o texto volta e meia ganha uma versão para o teatro com atores suecos interessantíssimos. Mas, como minha vida cultural é reduzidíssima, tenho que me contentar apenas com o livro. E que livro! Conta a história de Lydia e Arvid, que se apaixonam, ou quase. Passam-se anos, o amor “reacontece”, assim como a traicão e o desencantamento. O interessante é que não é Arvid quem trai sem consciência. É um livro sobre a busca feminina da liberdade sem julgar o que acontece quando ela escolhe deixar tudo pra trás para viver a vida como quer. Muito moderno e ainda muito atual. Devorei em alguns dias, numa edicão dos anos 60 e com palavras deliciosamente antiquadas. Adorei!

Lido em sueco.

“Sommarboken”

June 19, 2016

Ah, minha querida Tove Jansson, escritora finlandesa-sueca, criadora dos meus queridos Mumin Troll (livros para criancas e para os pais das criancas que lêem os livros e adoram mais do que os próprios filhos). Adoro basicamente tudo o que ela escreveu. Adoro o estilo “quirky” (different in a good way), adoro as histórias sobre pessoas ou animais imaginários que se sentem sós, felizes, raivosos, decididos. Esse livro, cujo título pode ser traduzido como “O livro do verão”) é composto por uma série de contos que podem ser lidos como um romance. É sobre Sophia e a avó paterna que passam um verão na casa de veräo deles numa ilha no arquepélago finlandês. O pai de Sophia também está lá, mas sempre trabalhando, sempre em bakground. O interessante é a relacão da menina e da avó, do tempo, da natureza. Mesmo sem entender um monte de palavras com referência a barcos e flores, adorei o ritmo da história, a poesia com que Tove Jansson descreve a menina, a avó e tudo o que há ao redor e dentro delas. AMEI!

Lido em sueco.

E depois de um livro sobre obsessão de amor, um outro livro sobre obsessão de amor. Só que dessa vez a protagonista não sabe o quanto é interessada pelo objeto de sua obsessão. Tinha ouvido falar desse livro de Gun-Britt Sundström há muito tempo, cujo título seria mais ou menos “Marido. Um romance sobre um relacionamento”. O título já é considerado um clássico sueco, escrito nos anos 70. Martina é estudante e comeca a sair com Gustav, também estudante. Ele sempre diz que é apaixonado, ela, nunca. Perdi a conta de quantas vezes Martina termina o romance com Gustav, para logo depois recomecar. De acordo com o costume da época, ninguém é completamente fiel, todo mundo testa sua liberdade, apesar de estar num relacionamento sério. Fiquei meio irritada com essa “liberdade”, que pra mim soa falso. Mas sei que esse livro é completamente anos 70. Bom, mas um pouco repetitivo.

Lido em sueco.

“Kungens rosor”

May 5, 2015

Que decepcão! O terceiro livro de Moa Martinsson sobre Mia, a menina da classe trabalhadora sueca do início do século, é o pior dos três. Pra comecar, não é Mia a narradora, mas a escritora. Mia está mais velha, trabalha muito num restaurante, a vida é dura. Ela se mete com agitadores políticos e sociais, mas a voz da menina se perde. Não gostei, mas não é um dos piores livros que já li. Passável porque gosto muito da escritora sueca Moa Martinsson e porque compreendo o por quê dela ter incluído tanta política nesse último livro. Pelo que sei – e sei muito pouco – Moa Martinsson estava envolvida no planejamento social sueco desse tempo (anos 30-40). Interessante na trilogia – e não tão presente nesse terceiro livro – é a descricão da relacão entre mãe e filha. Uma pena.

Lido em sueco.

“Kyrkbröllop”

April 20, 2015

Segundo livro da escritora sueca Moa Martinsson que leio e o segundo da trilogia sobre Mia Stenman – o primeiro que li foi “Mor gifter sig”. Gostei muito desse também, cujo título pode ser traduzido mais ou menos como “Casamento na igreja”. Mia, agora um pouco mais velha (mais ou menos 9 anos), é dama de honra no casamento da tia, irmã da mãe. E a viagem no tempo de uma Suécia empobrecida continua. Mia vê muita violência e pobreza, adultos dependentes de álcool, exclusão. É verdadeiramente fascinante ler a história dessa menina, tão sozinha, tão independente, tão interessante.

Lido em sueco.

“Mor gifter sig”

March 19, 2015

O primeiro da autora sueca Moa Martinsson que li. O título pode ser traduzido para o português como “Mãe se casa”. A protagonista, Mia Stenman, uma menina de mais ou menos 7 anos (não lembro direito), narra em primeira pessoa suas aventuras com a mãe, Hedvig, numa Suécia onde fome e pobreza é regra. Mia passa fome, é deixada sozinha pela mãe porque ela precisa trabalhar. Quando a mãe se casa (Mia é filha concebida fora do casamento), as coisas, que poderiam melhorar, pioram. O padrastro bebe muito álcool e não consegue manter um trabalho. A pequena família se muda muito. A mãe fica grávida e os bebês nunca sobrevivem. Mas o mais fascinante é que tudo isso é contado através da perspectiva de uma menina de 6, 7 anos. A linguagem é fascinante, sueca da gema, simples, direta. Gostei de saber também sobre a autora, Moa Martinsson, nascida no final do século dezenove e que já era feminista desde então. Esse livro foi publicado na Suécia em 1936. Adorei!

Lido em sueco.