“Börja leva”

October 9, 2009

Não sei porque escolhi esse exemplar para começar a ler a escritora sul-africana Nadine Gordimer. Não sei porque o escolhi mas sei que não gostei. É ela, a autora, que fala o tempo todo, que conta a história em círculos, se desdobra em side stories, enrola, enrola, enrola. Fiquei com vontade de ler Gordimer, que ganhou o Nobel de Literatura em 1991, porque ela é uma das favoritas de Joyce Carol Oates. Sou obrigada, agora, a tentar um outro título, só pra ver se eu realmente não gosto dela ou se dei azar com minha escolha. Qual a história do livro? Ah, não vale nem a pena contar.

Lido em sueco.

Só pelo título o livro já ganharia uma olhada minha, mesmo eu sendo muito cética em relação a livros de auto-ajuda. Mas li também sobre a britânica Fay Weldon, e achei que deveria ser interessante a ler o que ela tinha a dizer. Esse é um livro sobre as fontes de alegria (sexo, comida, amigos, família, compras e chocolate) e os quatro cavaleiros do apocalipse (morte, desespero, solidão e vergonha). Legal, nada pesado, bem levinho mas bacaninha. Vale uma olhada.

Lido em inglês.

Estava contente de ter descoberto uma escritora francesa de sucesso, cujos livros eu pudesse, quem sabe, ler em francês. Tinha ouvido falar da autora desse, Anna Gavalda, e depois de ler uma entrevista com ela numa revista sobre livros que assino, decidi comprar um livro dela. Meu escolhido foi esse, cujo título traduzido é “Juntos somos menos sozinhos”, ou coisa que o valha. Mas, que decepção! Não gostei de nenhum personagem, tudo me pareceu muito superficial; o livro todo como um grande diálogo, cheio de gírias (não entenderia nada em francês), sem reflexão alguma. Ruim.

Lido em sueco.

Acabei de acabar de ler o primeiro volume publicado com os diários de Joyce Carol Oates, uma das minhas escritoras favoritas. O que eu gosto nela? A intensidade, a energia quase maníaca de se jogar num livro e criar um mundo paralelo, através da linguagem. Ler um livro (bom) dela é como aprender um novo idioma, é entrar num vórtex de personagens e acontecimentos que não deixa você sair até chegar o fim da última página. O diário é assim também, apesar de não ser tão intenso. São tantas as passagens interessantes que vou ter que reler. Adorei.

Lido em inglês.

“My Life in France”

August 12, 2009

Se escrevesse aqui que adorei o livro de Julia Child e Alex Prud’homme (sobrinho-neto dela) estaria mentindo. Mas minto também se dissesse que não gostei. Achei o livro bacana, leve, interessante. Trata-se da história de Julia e Paul Child, ele diplomata, ela a dona-de-casa que acaba em Paris e se descobre uma chef com direito a aulas na Cordon Bleu e livros publicados. Nos anos 60, de volta aos EUA, Julia se transforma num ícone da TV americana com shows de culinária legendários. Gostei que ela descobriu o seu “barato”, a coisa que ela mais amava fazer e que ajudou a formar a sua vida. Bacana. (Acho que compreendi porque me senti atraída por esse livro: ele conta a história de uma mulher competentíssima e que descobriu o seu call pesquisando sobre a excelência da cozinha francesa. Ela me lembra muitíssimo da minha avó Celia, que começou em casa a fazer bonbons, fondants decorados à mão, para casamentos e festas. No final, ela tinha uma loja de doces numa casa no Jardim Botânico (bairro do Rio) chamada Le Temps Retrouvés e que vendia com sucesso bonbonnieres com fondants e doces criados por ela. Ela era enlouquecida por tudo francês.)

Lido em inglês.

Gostei do livro escrito por Sue Townsend. Ela conta, em forma de diário, um ano na vida do menino Adrian Mole. Vale dizer que os livros da série são best-sellers na Grã-Bretanha. Esse, o primeiro da série, é ao mesmo tempo engraçado e um pouco triste, talvez um pouco infanto-juvenil pro meu gosto, mas ainda assim, ok. Gosto desses livros escritos em forma de diário, talvez seria uma boa idéia começar a escrever um? Bom, o livro é legal o suficiente para que eu me sinta obrigada a ler todos os outros. Esse foi escrito, se não me engano, nos anos 90.

Lido em inglês.

Devorei mais um do funny guy David Sedaris. Gostei muito. Tem uma história conhecida, que ele usou num outro livro (acho que foi “Me talk pretty one day“), mas o resto do material é novo. E legal. Não é um livro pra pensar, só pra curtir. Ele é engraçado e faz observações interessantes sobre si próprio e o seu mundinho, o namorado, as viagens dos dois. Gosto dele, gosto da atitude debochada dele, mas esse livro é menos “alegre” do que os outros. Sedaris vive há muitos anos em Paris e eu acho que ele mudou nesse tempo. Ficou menos doido, mais… uhm, europeu. Será?

Lido em inglês.

Adorei o livro de Junot Díaz, que conta a história de Oscar, um rapaz dominicano-americano (como o autor), virgem, gordo e infeliz. Quer dizer, conta a história dele e de todos ao redor dele. Da maldição familiar (o chamado fukú dominicano), da mãe que morre de câncer, da irmã com dificuldade em settle down, da avó que não é avó e da República Dominicana, com sua história política sangrentíssima. Trágico? Não. Muito engraçado. Díaz escreve muitíssimo bem, mistura espanhol com inglês sem nenhum pudor (o autêntico spanglish, adoro!) e faz um livro leve, informativo (cheio de notas de página interessantérrimas) e muito… hum, como dizer… acho que a palavra aqui é “dinâmico”. Olha que legal: o autor ensina Creative Writing no MIT (daí suas inúmeras referências a ficção científica, imagino). Ah, sim. O livro ganhou o Pulitzer de ficção em 2008. Recomendo muito!

Lido em inglês.

O livro de Barack Obama é ótimo. Melhor do que ótimo, fantástico. Acho, no entanto, que o título original em inglês “Dreams from My father”, os sonhos do meu pai, não faz justiça ao livro. Fica uma coisa muito vaga. Acho que o título deveria envolver a palavra “descoberta”. Isso porque Barack, durante o livro todo, se descobre continuamente nos mais variados papéis que a sociedade exige que ele cumpra. Como Barry pros avós maternos (brancos), e com quem morou grande parte da vida, como negro nos EUA, como Barack pra comunidade carente do South Side em Chicago e, finalmente, como o filho pródigo que retorna à casa, quando ele visita o Quênia e a família paterna.

O livro cobre a infância de Barack nos EUA e na Indonésia, sua adolescência entre amigos ricos (e quase sempre brancos) numa escola exclusiva no Havaí, e parte de sua vida adulta em Chicago, onde ele trabalhou como organizador, uma espécie de trabalho social em que a pessoa é contratada por uma ONG para mobilizar a comunidade com o intuito de conseguir melhorias locais. Aí, depois disso tudo, vem o capítulo da África, em que Barack foi visitar sua família paterna e, mais uma vez, descobrir quem ele é de verdade.

No meio dessas viagens todas está um homem com uma mãe branca e um pai africano, ausente, que ele nunca encontrou a não ser por uma vez, aos 11 anos de idade. A família materna deu à Barack uma metade do quebra-cabeça. A outra metade, ele tentou descobrir por conta própria, indo trabalhar numa área pobre de Chicago, onde a maioria da população é negra. E, depois, com a viagem ao Quênia, onde o resto das peças do quebra-cabeça se encaixaram.

Fiquei empolgada quando reparei, depois das primeiras páginas, que o livro é muito bem escrito. As histórias vêm uma atrás da outra, as lembranças, os acontecimentos, as decisões e, principalmente, as elucubrações de Barack, durante o processo de autoconhecimento. Tudo bem escrito, ritmado, bonito. Leio sempre à noite, antes de dormir, pra relaxar. O que geralmente acontece é que vou ficando com sono e, acabo dormindo. Com esse livro, no entanto, não consegui relaxar. As histórias eram simplesmente boas demais.

Vou contar uma coisa pra vocês: esse cara é bom demais. Só não digo que ele é perfeito porque ele fuma. Sinceramente, não é todos os dias em que a maior potência do planeta tem como presidente um homem capaz de se perguntar quem ele é, um cara que se interessa pelo sentido das coisas, enfim, uma pessoa com consciência. Tomara que ele sobreviva – literalmente – às pressões do cargo que assumiu.

Lido em sueco.

“Lar,”

July 1, 2009

Lar

Preciso dizer? Compre. Vale a pena.