“Ditt och mitt liv”

August 17, 2017

Que decepcão! Adoro os livros de Majgull Axelsson, uma escritora e jornalista sueca, mas esse, cujo título pode ser traduzido como “Sua ou minha vida”, eu não gostei. Li há pouco tempo “Jag heter inte Miriam”, um dos melhores livros que já li na minha vida. Mas esse aqui, não tem o peso e a vitalidade de ”Jag heter inte Miriam”. Essa história tem um quê de realismo fantástico, como “Aprilhäxan” (que li quando ainda estava aprendendo sueco), mas também não tem o peso necessário. Märit, a protagonista, cresce durante os anos 60 numa família proletária sueca. Ela tem um irmão deficiente mental cujo destino foi cruel e muito comum na Suécia nessa época. O livro é a viagem dela (e as lembrancas dela) para entender o que aconteceu com o irmão. Li para o círculo de livros.

Lido em sueco.

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Mais um livro da minha querida Joyce Carol Oates. O título em original é “The Gravedigger’s Daughter”. O livro é muito bom. Frenético. Violento. A história em resumo: No final dos anos 30, a família alemã Schwart chega aos Estados Unidos fugindo dos nazistas. O único trabalho oferecido ao pai, antes professor de matemática, é como escavador e guardião do cemitério local. A mãe nunca aprende inglês, os dois filhos homens desaparecem e a menina, Rebecca, é testemunha quando sua família é perseguida pela comunidade local. Tudo termina em uma tragédia. Rebecca, então com dezesseis anos, foge de casa. Quero mais Joyce Carol Oates, mesmo ela sendo às vezes intensiva demais pro meu gosto. Uma vez me vi segurando a respiracão para acabar de ler uma cena muito violenta. E pensei: “Ela não desiste nem alivia!”.

Lido em sueco.

“Att skriva”

July 15, 2017

Adorei esse livro sobre a técnica da escrita do superescritor americano Stephen King, cujo título em original é “On Writing”. Quero muito colocar as dicas dele em acão. Ele diz que quem quer escrever tem que escrever muito e ler sempre. Bom, um desses eu já pratico desde pequena, já o outro… Gostei das passagens autobiográficas. Que talento narrativo! Nunca li um livro dele porque não me interesso por sentir medo, pelo contrário, quero sentir outras coisas quando leio. Mas vi, principalmente durante minha adolescência, alguns filmes baseados nas obras dele. Sempre gostei das histórias. Gostei muito desse livro aqui e gostaria mais ainda se eu mesma estivesse escrevendo um livro. Recomedo pra quem já escreve e para quem, assim como eu, quer escrever mais não tem coragem.

Lido em sueco.

Pequeno livro da americana Jenny Offill, 180 páginas de notas intercaladas. O título original em inglês é “Dept. of Speculation”. Uma moca novaiorquina se casa, tem filho e marido, que ela trai. Parece simples e é. Mas ela intercala a história com citacões interessantes de escritores e filósofos como Rilke, Wittengstein e Yeats. A protagonista diz no livro que não pretendia se casar porque queria ser uma artista. Ela não poderia cuidar de coisas mundanas da vida em família porque queria estar ocupada apenas de arte. Como exempelo, ela cita que o grande escritor Vladimir Nabokov nunca abriu um guarda-chuva sozinho, e que a mulher dele lambia os selos para colocar nas cartas dele. Leitura rápida. Gostei porque é bem escrito e feminista, apesar de ser novaiorquino demais pra mim.

Lido em sueco.

“Gilead”

July 5, 2017

Livro curtinho mais muito chato. A escritora americana Marilynne Robinson, uma preferida do presidente Obama, escreve muito sobre Deus assim como textos bíblicos. Eu sabia disso quando comprei, mas não imaginava que fosse assim tão dominante. O protagonista, um pastor de uma cidade pequena americana, está velho e reflete sobre sua vida. Ele escreve um diário para seu filho, que teve com a esposa muito mais nova. Ele conta boas histórias, mas o livro é devagar quase parando, talvez uma imagem da vida do pastor. Geralmente gosto desses livros calmos, sem sobressaltos, que você lê quase como se en transe. Mas esse achei difícil. Mesmo que a história de amor do pai pelo filho seja bonita. Dou dois coracões por causa disso e porque o livro é, sem dúvida, bem escrito.

Lido em sueco.

Mais um livro da escritora americana Roxane Gay. Dessa vez uma autobiografia, na qual ela conta sobre um trauma que sofreu na infância e como isso a influenciou a vida inteira na relacão com seu corpo. Roxane é gorda, gordíssima. Ela fala sobre feminismo, violência, trauma, luta, auto-estima, mulheres, homens. É, como sempre, ótimo! Um livro importante para todas as mulheres e homens que lidan com questões de auto-estima, mas também para todos os outros, que talvez não tenham esse tipo de problema, mas que precisam entender os mecanismos da violência social contra as criancas, principalmente meninas, que aprendem a odiar seu corpo desde pequenas. Recomendo muito!

Lido em inglês.

”Självbiografierna”

June 21, 2017

Li muitas vezes sobre o autor austríaco Thomas Bernhard (1931 – 1989) nos diversos suplementos literários e revistas nos quais sempre procuro novos livros pra ler. Li que era sério, desiludido e genial. Resolvi então comprar um volume com os cinco livros autobiográficos que Bernhard escreveu durante os anos 70 e 80. O volume é composto por cinco livros, ”Orsaken” (Causa), ”Källaren” (Porão), ”Andhämtningen” (Respiracão), ”Kylan” (Frio) e “Ett barn” (Uma crianca). A história é simples mas a narrativa é complexa; sem parágrafos, ele conta numa corrente contínua sobre sua vida, a família e a Áustria durante a segunda guerra mundial. Resumo assim: Intenso. Vertiginoso. Escola. Desajuste, sensacão de estar de fora. Avô materno. Mãe. Áustria. Nazismo, catolicismo, ”ir na direcão contrária”, doenca, infância, desespero, arte. Fantástico!

Lido em sueco.