Esse livro do americano Anthony Doerr ganhou o Pulitzer de ficcão 2015, o que me deixa um pouco surpresa. O livro é bom, mas senti o tempo todo que estava lendo um roteiro de cinema, tantas são as referências a locais, ruas etc. O que é irônico já que a personagem central da história é Marie-Laure, uma menina francesa cega. O pai, tipo de carpinteiro e faz-tudo num museu em Paris, fez um modelo em madeira do quartier em que moram para que Marie-Laure possa aprender a andar sozinha quando crescer. Cada aniversário ele faz um prédio/casa novo para o modelo, e Marie-Laure tem que abrir o modelo, sempre uma espécie de quebra-cabeca de madeira, e achar um presentinho dentro. Do outro lado da história está Werner, um menino órfão alemão. A vida dos dois se entrelaca durante a segunda guerra mundial. Novamente: não é espetacular (longe disso), mas é bacana.

Lido em sueco.

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“Bära barnet hem”

March 22, 2017

Livro da jornalista e escritora sueca Cilla Naumann cujo título em português seria “Trazer a crianca pra casa”, mais ou menos. O verbo “bära” em sueco também quer dizer “carregar”, o que de fato seria uma traducão mais exata. Bom, o livro é uma combinacão de ficcão e diário. Cilla Naumann adotou três criancas nascidas na Colômbia. O mais velho, Adam, 20 anos, entra em contato com sua mãe biológica com a ajuda do Facebook e viaja para Bogotá para encontrá-la. Cilla vai junto. Ela alterna como foi o encontro com a história fictiva Ana, uma moca órfã e que trabalha como empregada numa casa de família em Bogotá. Ana é totalmente dedicada à crianca pequena da família. O livro é sobre o desejo da maternidade, de quem é a mãe de verdade. Não é um dos melhores livros que li mas é muito bom.

Lido em sueco.

“In gratitude”

March 18, 2017

Último livro da minha querida escritora inglesa Jenny Diski, que morreu em abril de 2016 de câncer. O livro é dividido em uma parte de memórias, em que ela conta como foi ir morar quando ela tinha 15 anos com Doris Lessing, uma parte sobre as doencas que acabariam tirando a vida dela (câncer nos pulmões diagnosticada em 2014 e, depois do tratamento, fibrose também nos pulmões) e uma terceira parte que pode ser chamada miscelânia, porque ela mistura ambos. Fala de gratidão, como o título sugere, de ingratidão, de morte, de como pessoas podem destruir outras (os pais de Jenny Diski que se destruiram mutuamente e à ela, Doris, que destruiu o filho Peter, e tudo o que aconteceu no caminho). Fiquei tão abalada quando li a parte sobre as doencas e a morte que sonhei, acordei no meio da noite em pânico e näo sabia onde estava. Forte e muito bom. Que pena que nunca mais terei Jenny Diski para ler. Vai fazer falta.

Lido em sueco.

Adorei! Livro da mexicana Guadalupe Nettel (em si já um mérito; adoro o México e gostaria muito de saber espanhol de forma correta para poder ler no original), cujo título pode-se traduzir como “o corpo em que nasci”. Livro pequeno, mais ou menos 200 páginas. Uma autobiografia, que poderia ter sido a minha autobiografia. Tirando o problema do olho da protagonista (mas incluindo outras insatisfacões com o corpo em que nasci) e o fato que meu pai nunca foi preso, além de outras pequenas diferencas. A história da vida dela é interessante e muito bem contada, parece que ela sentou um dia e escreveu o livro sem muitas pretencões. Leve e bacana. Recomendo.

Lido em sueco.

Li para o meu círculo de livros. Trata-se de um romance criminal, o que já indica que não é um livro para mim. Já li muitos romances desse tipo, há anos atrás, de fato já teve uma época em que só gostava de ler isso. Acho que agora cansei para todo o sempre. De qualquer forma, nesse livro, que não é de todo mal, fica-se sabendo sobre o protagonista, um policial meio sem rumo e com dependência química, e de como a vida passada dele influencia a violência que acontece em volta dele no presente. O título do livro pode ser traduzido como “O homem invisível de Salem”. Só que invisível só tem o nome. Não sei se o autor, Christoffer Carlsson, tinha como objetivo manter o leitor em suspense e não contar a identidade do malvadão, mas fica claro desde as primeiras páginas quem faz o quê, quando e com quem. Chato.

Lido em sueco.

É um dos livros mais feministas que já li, exatamente porque fala sobre o espaco extremamente estreito dado ao comportamento feminino dentro do que é normal e do que é anormal. O título do livro é “A diva ferida: sobre a estética da psique” e Karin Johanisson escreve sobre três mulheres, as suecas Agnes von Krusenstjerna, escritora, e Sigrid Hjortén, artista, e a alemã-sueca Nelly Sachs, escritora e ganhadora do Nobel de literatura em 1966. A partir das três ela discute os diagnósticos que elas receberam dos médicos da época, histeria (Agnes), esquizofrenia (Sigrid) e paranóia (Nelly). Interessantérrimo porque duas delas (Agnes e Sigrid) se rebelaram contra os costumes da época (século XX), casamento, o que se espera das mulheres em termos de comportamento e aceitância em relacão à sociedade em geral. Muito bom, mesmo que tenha achado o livro um pouco repetitivo, principalmente na parte dedicada à Agnes von Krusenstjerna.

Lido em sueco.

Ah, esses livros da classe altíssima inglesa! Você comeca a ler e nunca sabe onde vai parar. Pode ser nos salões mais requintados da côrte ou num gueto sórdido. Adoro! Essas novelas do britânico Edward St Aubyn são um exemplo dessa variedade. Tem de tudo do pior num mundo onde se tem acesso a tudo o que há de melhor. Um resumo: romance semi auto-biográfico sobre um menino nascido rico num casamento péssimo. A mãe, rica e fraca, dominada pelo terror que sentia pelo marido, foge do filho e não é simplesmente good enough. O pai, um pedófilo desgracado, infeliz, sarcástico e verdadeiramente cruel, faz a vida do garoto um inferno na terra. A partir daí, a história se desenvolve, com uso de drogas pesadíssimas (ninguém sai ileso de uma infância como a de Patrick Melrose), acidez, a busca pelo amor que parece impossível, a paternidade e a discussão de como todos nós temos que, um dia, crescer de verdade, e parar de anciar por uma eterna compensacão emocional (tröst). Os livros são fenomenais. ADOREI. Recomendo!

Lido em inglês.