A tradução do título do livro do jornalista americano Michael Greenberg é “O dia em que minha filha enlouqueceu” (no original, em inglês, “Hurry Down Sunshine”). Li sobre o livro no meu jornal, fui ver do que se tratava, e era a história real da psicose que a filha dele, Sally, de 15 anos, sofreu no final dos anos 90. Bem contado, boas elucubrações dele sobre a doença da filha, mas alguma coisa falta, acho eu. Mais informação sobre a doença, mas conexões literárias (ele diz que escritores que sofreram do mesmo mal, mas não desenvolve nada, só cita). Legal. Nada mais.

Lido em sueco.

Acabei de acabar de ler o primeiro volume publicado com os diários de Joyce Carol Oates, uma das minhas escritoras favoritas. O que eu gosto nela? A intensidade, a energia quase maníaca de se jogar num livro e criar um mundo paralelo, através da linguagem. Ler um livro (bom) dela é como aprender um novo idioma, é entrar num vórtex de personagens e acontecimentos que não deixa você sair até chegar o fim da última página. O diário é assim também, apesar de não ser tão intenso. São tantas as passagens interessantes que vou ter que reler. Adorei.

Lido em inglês.

“My Life in France”

August 12, 2009

Se escrevesse aqui que adorei o livro de Julia Child e Alex Prud’homme (sobrinho-neto dela) estaria mentindo. Mas minto também se dissesse que não gostei. Achei o livro bacana, leve, interessante. Trata-se da história de Julia e Paul Child, ele diplomata, ela a dona-de-casa que acaba em Paris e se descobre uma chef com direito a aulas na Cordon Bleu e livros publicados. Nos anos 60, de volta aos EUA, Julia se transforma num ícone da TV americana com shows de culinária legendários. Gostei que ela descobriu o seu “barato”, a coisa que ela mais amava fazer e que ajudou a formar a sua vida. Bacana. (Acho que compreendi porque me senti atraída por esse livro: ele conta a história de uma mulher competentíssima e que descobriu o seu call pesquisando sobre a excelência da cozinha francesa. Ela me lembra muitíssimo da minha avó Celia, que começou em casa a fazer bonbons, fondants decorados à mão, para casamentos e festas. No final, ela tinha uma loja de doces numa casa no Jardim Botânico (bairro do Rio) chamada Le Temps Retrouvés e que vendia com sucesso bonbonnieres com fondants e doces criados por ela. Ela era enlouquecida por tudo francês.)

Lido em inglês.

Devorei mais um do funny guy David Sedaris. Gostei muito. Tem uma história conhecida, que ele usou num outro livro (acho que foi “Me talk pretty one day“), mas o resto do material é novo. E legal. Não é um livro pra pensar, só pra curtir. Ele é engraçado e faz observações interessantes sobre si próprio e o seu mundinho, o namorado, as viagens dos dois. Gosto dele, gosto da atitude debochada dele, mas esse livro é menos “alegre” do que os outros. Sedaris vive há muitos anos em Paris e eu acho que ele mudou nesse tempo. Ficou menos doido, mais… uhm, europeu. Será?

Lido em inglês.

O livro de Barack Obama é ótimo. Melhor do que ótimo, fantástico. Acho, no entanto, que o título original em inglês “Dreams from My father”, os sonhos do meu pai, não faz justiça ao livro. Fica uma coisa muito vaga. Acho que o título deveria envolver a palavra “descoberta”. Isso porque Barack, durante o livro todo, se descobre continuamente nos mais variados papéis que a sociedade exige que ele cumpra. Como Barry pros avós maternos (brancos), e com quem morou grande parte da vida, como negro nos EUA, como Barack pra comunidade carente do South Side em Chicago e, finalmente, como o filho pródigo que retorna à casa, quando ele visita o Quênia e a família paterna.

O livro cobre a infância de Barack nos EUA e na Indonésia, sua adolescência entre amigos ricos (e quase sempre brancos) numa escola exclusiva no Havaí, e parte de sua vida adulta em Chicago, onde ele trabalhou como organizador, uma espécie de trabalho social em que a pessoa é contratada por uma ONG para mobilizar a comunidade com o intuito de conseguir melhorias locais. Aí, depois disso tudo, vem o capítulo da África, em que Barack foi visitar sua família paterna e, mais uma vez, descobrir quem ele é de verdade.

No meio dessas viagens todas está um homem com uma mãe branca e um pai africano, ausente, que ele nunca encontrou a não ser por uma vez, aos 11 anos de idade. A família materna deu à Barack uma metade do quebra-cabeça. A outra metade, ele tentou descobrir por conta própria, indo trabalhar numa área pobre de Chicago, onde a maioria da população é negra. E, depois, com a viagem ao Quênia, onde o resto das peças do quebra-cabeça se encaixaram.

Fiquei empolgada quando reparei, depois das primeiras páginas, que o livro é muito bem escrito. As histórias vêm uma atrás da outra, as lembranças, os acontecimentos, as decisões e, principalmente, as elucubrações de Barack, durante o processo de autoconhecimento. Tudo bem escrito, ritmado, bonito. Leio sempre à noite, antes de dormir, pra relaxar. O que geralmente acontece é que vou ficando com sono e, acabo dormindo. Com esse livro, no entanto, não consegui relaxar. As histórias eram simplesmente boas demais.

Vou contar uma coisa pra vocês: esse cara é bom demais. Só não digo que ele é perfeito porque ele fuma. Sinceramente, não é todos os dias em que a maior potência do planeta tem como presidente um homem capaz de se perguntar quem ele é, um cara que se interessa pelo sentido das coisas, enfim, uma pessoa com consciência. Tomara que ele sobreviva – literalmente – às pressões do cargo que assumiu.

Lido em sueco.

O livro do jornalista Malcolm Gladwell é muitíssimo intressante. São 230 páginas sobre inteligência intuitiva, aquela sensação espontânea que sentimos quando vemos uma pessoa ou um objeto ou vivenciamos uma situação. Gladwell é jornalista, o que me agrada ainda mais, porque o livro é simplíssimo de se ler. Ele diz que quem tem essa habilidade intuitiva desenvolvida é capaz de formar uma opinião nos primeiros dois segundos (!) em que encontra uma pessoa/vê um objeto. E que muitas vezes quanto mais você apura essa primeira impressão, mais errado fica. Parece uma coisa meio confusa, mas não é não. Ele conta história de pesquisadores americanos que estudaram a face humana durante anos pra entender como identificar as chamadas “micro-expressões”, que aparecem rapidíssimo e que revelam mais a respeito da pessoa em questão em tudo o que ela diz. Aqui uma coisa bacana: tem um seriado americano chamado “Lie to me” cujo protagonista, interpretado por Tim Roth, é um expert em interpretar a face humana pra identificar quem mente e quem fala a verdade. A série em si é bacaninha, principalmente quando ele explica as expressões humanas e mostra exemplos reais. O que é bacana é que tenho certeza absoluta que quem quer que seja que tenha criado a série leu esse livro. Não explico mais pra não estragar a surpresa de quem quiser ver a série e ler o livro. Muito bacana. Gostei mesmo.

Lido em sueco.

O livro de Hanne Kjöller, cujo título pode ser traduzido como “na cabeça de uma mãe”, descreve como é ser mãe na Suécia de hoje. A jornalista sueca escreve a partir de sua experiência própria e de sua irritação com as mães que reclamam o tempo todo de como é estrassante ter filhos, trabalhar, cuidar da casa etc. A parte que mais gostei é a que discute o medo das mães numa sociedade extremamente segura. Li até a ultima página, fechei o livro e fiquei com vergonha da minha ladainha. Muito bom. Recomendo.

Lido em sueco.