Devorei mais um do funny guy David Sedaris. Gostei muito. Tem uma história conhecida, que ele usou num outro livro (acho que foi “Me talk pretty one day“), mas o resto do material é novo. E legal. Não é um livro pra pensar, só pra curtir. Ele é engraçado e faz observações interessantes sobre si próprio e o seu mundinho, o namorado, as viagens dos dois. Gosto dele, gosto da atitude debochada dele, mas esse livro é menos “alegre” do que os outros. Sedaris vive há muitos anos em Paris e eu acho que ele mudou nesse tempo. Ficou menos doido, mais… uhm, europeu. Será?

Lido em inglês.

O livro de Barack Obama é ótimo. Melhor do que ótimo, fantástico. Acho, no entanto, que o título original em inglês “Dreams from My father”, os sonhos do meu pai, não faz justiça ao livro. Fica uma coisa muito vaga. Acho que o título deveria envolver a palavra “descoberta”. Isso porque Barack, durante o livro todo, se descobre continuamente nos mais variados papéis que a sociedade exige que ele cumpra. Como Barry pros avós maternos (brancos), e com quem morou grande parte da vida, como negro nos EUA, como Barack pra comunidade carente do South Side em Chicago e, finalmente, como o filho pródigo que retorna à casa, quando ele visita o Quênia e a família paterna.

O livro cobre a infância de Barack nos EUA e na Indonésia, sua adolescência entre amigos ricos (e quase sempre brancos) numa escola exclusiva no Havaí, e parte de sua vida adulta em Chicago, onde ele trabalhou como organizador, uma espécie de trabalho social em que a pessoa é contratada por uma ONG para mobilizar a comunidade com o intuito de conseguir melhorias locais. Aí, depois disso tudo, vem o capítulo da África, em que Barack foi visitar sua família paterna e, mais uma vez, descobrir quem ele é de verdade.

No meio dessas viagens todas está um homem com uma mãe branca e um pai africano, ausente, que ele nunca encontrou a não ser por uma vez, aos 11 anos de idade. A família materna deu à Barack uma metade do quebra-cabeça. A outra metade, ele tentou descobrir por conta própria, indo trabalhar numa área pobre de Chicago, onde a maioria da população é negra. E, depois, com a viagem ao Quênia, onde o resto das peças do quebra-cabeça se encaixaram.

Fiquei empolgada quando reparei, depois das primeiras páginas, que o livro é muito bem escrito. As histórias vêm uma atrás da outra, as lembranças, os acontecimentos, as decisões e, principalmente, as elucubrações de Barack, durante o processo de autoconhecimento. Tudo bem escrito, ritmado, bonito. Leio sempre à noite, antes de dormir, pra relaxar. O que geralmente acontece é que vou ficando com sono e, acabo dormindo. Com esse livro, no entanto, não consegui relaxar. As histórias eram simplesmente boas demais.

Vou contar uma coisa pra vocês: esse cara é bom demais. Só não digo que ele é perfeito porque ele fuma. Sinceramente, não é todos os dias em que a maior potência do planeta tem como presidente um homem capaz de se perguntar quem ele é, um cara que se interessa pelo sentido das coisas, enfim, uma pessoa com consciência. Tomara que ele sobreviva – literalmente – às pressões do cargo que assumiu.

Lido em sueco.

O livro do jornalista Malcolm Gladwell é muitíssimo intressante. São 230 páginas sobre inteligência intuitiva, aquela sensação espontânea que sentimos quando vemos uma pessoa ou um objeto ou vivenciamos uma situação. Gladwell é jornalista, o que me agrada ainda mais, porque o livro é simplíssimo de se ler. Ele diz que quem tem essa habilidade intuitiva desenvolvida é capaz de formar uma opinião nos primeiros dois segundos (!) em que encontra uma pessoa/vê um objeto. E que muitas vezes quanto mais você apura essa primeira impressão, mais errado fica. Parece uma coisa meio confusa, mas não é não. Ele conta história de pesquisadores americanos que estudaram a face humana durante anos pra entender como identificar as chamadas “micro-expressões”, que aparecem rapidíssimo e que revelam mais a respeito da pessoa em questão em tudo o que ela diz. Aqui uma coisa bacana: tem um seriado americano chamado “Lie to me” cujo protagonista, interpretado por Tim Roth, é um expert em interpretar a face humana pra identificar quem mente e quem fala a verdade. A série em si é bacaninha, principalmente quando ele explica as expressões humanas e mostra exemplos reais. O que é bacana é que tenho certeza absoluta que quem quer que seja que tenha criado a série leu esse livro. Não explico mais pra não estragar a surpresa de quem quiser ver a série e ler o livro. Muito bacana. Gostei mesmo.

Lido em sueco.

O livro de Hanne Kjöller, cujo título pode ser traduzido como “na cabeça de uma mãe”, descreve como é ser mãe na Suécia de hoje. A jornalista sueca escreve a partir de sua experiência própria e de sua irritação com as mães que reclamam o tempo todo de como é estrassante ter filhos, trabalhar, cuidar da casa etc. A parte que mais gostei é a que discute o medo das mães numa sociedade extremamente segura. Li até a ultima página, fechei o livro e fiquei com vergonha da minha ladainha. Muito bom. Recomendo.

Lido em sueco.

Li esse do John Grisham porque gosto das histórias de julgamento americanas e porque gosto do autor em geral. O título resume a história: “O homem inocente: assassinato e injustiça numa cidade pequena”. Trata-se de uma história real, o que melhora as chances da obra, por assim dizer. Mas o livro é loooongo, detalhadísssimo, o que cansa. De repente me vi pulando várias páginas e ainda assim compreendendo todo o enredo.

Lido em sueco.

“Into the Wild”

December 15, 2007

Segunda vez que li o livro de Jon Krakauer. A primeira foi em Nova York, há quase dez anos. Gostei mais dessa vez. Ainda fico intrigada pela história de Chris McCandless, de 22 anos, que em abril de 1992, entra sozinho na wilderness do Alasca pra nunca mais sair. Pra quê? Por quê? Não se sabe. Krakauer não vai fundo nas questões de McCandless, até porque seria especular demais, uma vez que o rapaz não deixou muitas anotações de foro íntimo em seus diários. Essa seria, talvez, uma das únicas fraquezas do livro. Mas, nem por isso a leitura deixa de ser interessante. Muito pelo contrário.

Lido em inglês.

“Stranger On A Train”

August 12, 2007

O terceiro da escritora e jornalista inglesa Jenny Diski que leio em pouco tempo. E ainda não me cansei. Se pude$$e, compraria outros imediatamente. Esse aqui é sobre a viagem dela de trem pelo continente americano. Ela conta a história das pessoas que conheceu no trem e, principalmente, daquelas com quem dividiu o compartimento para fumantes. Eu detesto cigarros; fiquei meio irritada com a devoção de Jenny Diski aos tubos de nicotina, mas nem por isso ela deixa de escrever divinamente.

Lido em inglês.

Mais um livro da escritora inglesa Jenny Diski. Esse é mais pesado do que o outro que li umas semanas atrás. Ela conta alternadamente a história de sua viagem à Antarctica e sobre sua infância infeliz e pais negligentes. Achei difícil gostar dos capítulos sobre a mãe dela, mas me apaixono cada vez mais pelo modo como Jenny Diski escreve. Profundas reflexões elaboradamente descritas numa linguagem refinadérrima. Quem me dera escrever assim! Agora eu simplesmente tenho que ler o outro livro de ensaios dela, “Stranger On A Train”.

Lido em inglês.

"Heat"

July 15, 2007

Livro do jornalista americano Bill Buford sobre as aventuras dele como aprendiz de cozinheiro do renomado chefe Mario Batali, em Nova York, e como aprendiz de açougueiro na Toscana (além de outras aventuras). Esse é um livro sobre paixões. Buford trabalhava, nada mais nada menos, como editor da “The New Yorker”, mas resolveu deixar seu emprego quando a paixão pela comida tomou conta. São páginas e mais páginas sobre polenta, carne toscana e pra investigar quando ovos começaram a ser usados no preparo de massa fresca italiana. É fascinante (pra quem é aficionado). Não sou aficionada, mas gosto demais de como ele descreve sua paixão, de como ele vai fundo e acaba transformando sua vida. Muito legal.

Lido em inglês.

Gostei desse livro de pequenos artigos de Nora Ephron, jornalista, roteirista e diretora de cinema americana. Foi ela quem escreveu – e por vezes dirigiu – filmes que gosto muito, como “Sleepless in Seattle” e “When Harry met Sally”. Os textos são sobre mulheres, envelhecimento, amor por pessoas (amigos e namorados) e por apartamentos, além do amor infinito dela por Nova York. Como passei uns tempos em Nova York estudando (dizer que morei lá é um pouco demais, mas a verdade foi que morei sim), sei bem do que Nora Ephron está falando. Se pude$$e, moraria lá o resto da minha vida. Com ataques terroristas e tudo. Ah, sim: o livro é bacana.

Lido em inglês.