Livraço. Obra-prima. Adorei. Esse foi o primeiro livro escrito por Doris Lessing, em 1950. Em linhas gerais: numa fazenda na antiga colônia britânica da Rodésia do Sul (atual Zimbabué) encontra-se Dick, um fazendeiro branco falido, Mary, a esposa frustrada e infeliz, e Moses, o empregado negro. Mas a história é muito mais do que isso. É racismo, é intolerância, é preconceito, é ignorância, é dominação, é infelicidade quando uma pessoa se vê obrigada a abandonar suas convicções por pressão social. Desde o início sabe-se que tudo vai acabar muito mal, mas mesmo assim é fascinante. Espetacular mesmo. Recomendo.

Lido em inglês.

“Mannen utan öde”

January 12, 2008

Esse livro de Imre Kertész, vencedor do prêmio Nobel de literatura de 2002, é uma obra-prima. O protagonista, um menino de 14 anos, conta como foi levado pra campos de concentração e como era o dia-a-dia de lá. Até aí, parece um livro comum, um testemunho dos horrores da segunda guerra mundial. Mas a história é muito mais. Minha impressão é que o menino passou pelo que passou e saiu totalmente inteiro da experiência. No final do livro ele explica como isso foi possível. Acabei por me perguntar: pode um livro sobre um dos piores capítulos da história mundial não conter uma gota de ódio? Segundo Imre Kertész pode. Livraço.

Lido em sueco.

“Dvärgen”

December 3, 2007

Demorei pra ler o pequeno (150 páginas) livro de Pär Lagerkvist (ganhador do Nobel de literatura em 1951)porque tive dificuldade em me aprofundar (ou apreciar) a amargura do protagonista, o anão do título, que é também o narrador da história. São cento e cinqüenta páginas de pequeneza de espírito (pun intendet); o anão distribuindo ódio a sua volta, manipulando e matando. Um sociopata, uma eminência parda numa côrte italiana durante a Renascença. Mas o livro é interessante, ainda mais porque é escrito em forma de diário pelo anão. Fico imaginando como deve ter sido escrever esse romance. Pra escrever, em primeira pessoa, sobre tanto ódio, é preciso ter sentido esse ódio. Não pode ser algo apenas imaginado. Será?

Lido em sueco.

"Historien om Michael K"

August 3, 2004

Mais um do premiado John Maxwell Coetzee, ganhador do Nobel de 2003. Nunca li Kafka, mas tenho a impressão que esse é um livro “kafkiano” em sua essência. Acompanhamos Michael K em sua desafortunada peregrinação numa injustíssima África do Sul, a vida no buraco - literalmente. O desespero mudo e surdo dos perdidos e que nunca tiveram uma chance. Livraço. Não é a toa que o cara ganhou o Nobel, viu?

Lido em sueco.

"Pojkår"

November 23, 2003

O primeiro livro que li de John Maxwell Coetzee, o escritor sul-africano ganhador do prêmio Nobel de literatura de 2003. É um livro autobiográfico, no qual Coetzee conta sua infância, suas contradições crescendo na África do Sul do apartheid. Quem é ele? Afrikaan ou inglês? Católico ou protestante? Enquanto leio Coetzee uma palavra aparece na minha mente a todo o instante: seco. O livro é enxuto até a última gota. Não há uma “gordurinha” pra queimar, nada é excessivo. Tudo está no seu lugar. Leitura muito interessante, mas Coetzee é daqueles que ama-se ou deixa-se. Eu gostei muito.

Lido em sueco.

"Kejsarn av Portugallien"

January 9, 2003

Clássico sueco. Tive de lê-lo duas vezes para as aulas de sueco. Selma Lagerlöf, ganhadora do prêmio Nobel de literatura em 1909, escreve no seu dialecto, da região de Värmland, que não é necessariamente simples. A leitura, no entanto, depois de passada as primeiras barreiras linguísticas, é muito legal. Nesse livro, Jan i Skrotlycka é um homem amargo até o nascimento da filha Klara Fina Gulleborg. O amor de Jan pela filha ultrapassa todas as barreiras - até as da loucura. (Mas fiquem tranqüilos, Selma Lagerlöf não escreve sobre incesto e horrores do tipo).

Lido em sueco.

Li muito Albert Camus. O começo, se não me engano, foi com “L’étranger” em francês, enquanto ainda estudava o idioma, em junho de 1990. Comprei uma edição antiga, num sebo do Rio, que me acompanha até hoje. Depois veio a versão em português, que comprei junto com outros títulos do autor franco-argelino, em junho de 1991. São eles: “O exílio e o Reino” (junho de 1991), “O Diário de Viagem” (junho de 1991) e “A Peste” (1999).

Lidos em português e francês.