O livro de Linda Olsson é passável. Não é ilegível, mas também não dá muito prazer de ler (também, coitada, ela veio depois da pungência da Doris Lessing. Não teve a menor chance). A história é de uma moça que aluga uma casa no meio da floresta em algum lugar da Suécia pra escrever um livro. Ela faz amizade com a vizinha, uma senhora esquisitona. Ambas começam então a contar suas vidas uma pra outra. Pode ser interessante pro mundo fora da Suécia, que talvez aprecie as descrições dos ambientes nativos, mas aqui, in loco, o livro é bem fraquinho. Bege, sem cor. Sem sal. Cabe dizer que Linda Olsson é sueca mas mora na Nova Zelândia e escreveu o livro em inglês.

Lido em sueco.

Os livros de Joanna Rubin Dranger são pequenos romances cuja história é contada por meio de quadrinhos. A protagonista é chamada no primeiro livro de Fröken Livrädd (Dona Apavorada) e, no segundo, de Fröken Markvärdig (Dona Importante) . No primeiro livro Dona Apavorada acha Mr. Right, casa, se apaixona por um outro, se separa e se esborracha com as mentiras do parceiro novo.

No segundo livro Dona Importante é uma profissional reconhecida em busca “da idéia brilhante”, “do conceito inédito”, “do toque de gênio”, da “Criação”. Em ambos os livros a história é a das mulheres modernas, de suas vontades e medos mais secretos. Tudo é, na verdade, muito engraçado. Me identifiquei tanto que acabei sentindo ternura por mim mesma.

Lido em sueco.

“Bitterfittan”

January 22, 2008

O romance feminista de Maria Sveland foi muito discutido quando lançado. O título é intraduzível (isso aqui é um blog de família!), mas diz respeito à amargura que algumas mulheres que resolvem levar a frente a equação filho+trabalho sentem. A razão da amargura seria a falta de igualdade da vida, do que se espera delas em relação do que se espera dos homens na mesma situação. Mas, principalmente, como elas mesmas se exigem uma série de coisas simultaneamente e, claro, falham, e se enchem de culpa. Ask me if it rings a bell… Oh yeah.

Lido em sueco.

Esse é o último livro da trilogia Millennium de Stieg Larsson e o melhor dos três. Por mais que eu ainda não goste do estilo dele, por demais masculino, o enredo é bacanérrimo e rende boas horas de entretenimento. Ainda mais porque finalmente as coisas começam a funcionar pros protagonistas, Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander (minha preferida). Vou dar cinco corações porque o livro é mesmo legal no que diz respeito a aventura, mas se julgasse apenas o estilo, daria dois ou três. Mas, estilo é coisa bem pessoal, né? O primeiro livro da trilogia de Stieg Larsson já foi traduzido pro inglês (”Men Who Hate Women”), pro dinamarquês (”Mænd der hader kvinder”) e pro alemão (”Verblendung”). O segundo, pelo que descobri, existe também em dinamarquês (”Pigen der legede med ilden”) e em alemão (”Verdammnis”). O terceiro já teve sua versão dinamarquesa lançada (”Luftkastellet der blev sprængt”). Recomendo.

Lido em sueco.

"Små citroner gula"

June 22, 2007

Êta livrinho previsível! Kajsa Ingemarsson ganhou um monte de dinheiro com esse best seller, que ficou meses e mais meses na lista dos pockets mais vendidos aqui da Suécia, o que é, pra mim, completamente inacreditável. O livro é previsível, chato, monótono. A história é morna e escrita como quem vai a esquina comprar pão, ou seja, sem qualquer charme. Comprei porque precisava de algo pra ler - qualquer coisa. Tenho que aprender a ser mais seletiva…

Lido em sueco.

"Fågelbovägen 32"

May 3, 2007

Tava querendo ler o livro de Sara Kadefors desde que foi lançado. Isso porque conta a história de uma sueca que quer “ajudar” uma imigrante e acaba ela mesmo sendo ajudada pela moça de quem ela sentia tanta pena. Isso de “ajudar” alguém é uma coisa bem complicada. O livro é bom, me fez pensar. Me fez lembrar o “How to be good” do Nick Hornby. A protagonista, Karin, que tenta ajudar a imigrante, também é médica e quer ser uma “boa pessoa” assim como a Katie Carr de Hornby. Não gostei tanto do livro de Hornby, que achei chato e irritante. Desse daqui eu gostei um pouco mais, talvez porque tenha mais a ver com a minha realidade.

Lido em sueco.

“Svinalängorna”

January 2, 2007

O livro de Susanna Alakoski ganhou o maior prêmio sueco depois do Nobel, o chamado Augustpriset. Geralmente os livros que ganham esse prêmio são mais comerciais, isto é, não são muito eruditos, ao contrário do Nobel. Mas isso não quer dizer que os livros premiados com o Augustpriset sejam ruins ou fáceis. Muito pelo contrário. Esse livro é delicado e brutal, muito bem escrito e muito triste. Conta a história de Leena e sua família, que emigraram nos anos 60-70 da Finlândia para a Suécia. Muito tocante como a evolução do vício dos pais alcoolistas influencia Leena e os irmãos, como a vida dela se forma à decadência, à insegurança, à falta de cuidado. Muito triste mesmo. Triste e real. Infelizmente. Muito bom livro. Mas leitura pesada. Presente de natal da minha sogra, Vera.

Lido em sueco.

"Montecore: En unik tiger"

December 11, 2006

Tenho pena de quem não lê sueco. Isso porque “Montecore…” de Jonas Hassen Khemiri (JHK) é simplesmente genial. É, sem dúvida, o melhor livro que li esse ano. Nascido na Suécia de pai tunísio e mãe sueca, JHK cresceu ouvindo uma mistura de árabe, francês e sueco. Poderia ter dado muito errado, caso ele não tivesse talento. Mas, a combinação é maravilhosa. Ele escreve em sueco, só que num sueco novo, mais maleável, orgânico (pelo menos para mim, que tenho português como primeira língua). Ler esse livro foi uma experiência e tanto. Já tinha lido o primeiro livro de JHK, “Ett öga rött”, que também adorei. Mas esse segundo é simplesmente demais.

Abaixo a pequena resenha sobre o livro que escrevi em sueco: “Jonas Hassen Khemiris nya, “Montecore: en unik tiger” är den bästa boken jag har läst i år. Utan tvivel. Jag har även läst “Ett öga rött” och tycker att den var fantastisk. Men JHK blir bara bättre och bättre. “Montecore” är en resa genom Sveriges språk, traditioner och folk. Alla är med. Svennarna, rassarna, invandrarna och till och med de som inte platsar varken här eller där. Språket i “Montecore” är en resa i sig. Att läsa boken var att upptäcka svenskan på nytt, på ett mer deliciöst sätt. Läs den!” (Veja essa resenha no site Bokus.com)

Lido em sueco.

"Stenhuggaren”

November 29, 2006

Esse foi o único livro da escritora sueca Camilla Läckberg que eu li. Comprei porque sempre lia muito sobre ela nos jornais, como uma das melhores escritoras novas do romance policial nativo. E, de fato, ela é interessante. Muitas vidas/histórias paralelas, assuntos instigantes, passado e presente, Suécia e EUA, tudo isso comprimido em 400 páginas. Só que no final, a história é tão multifacetada que perde força. O que não gostei também é que, por mais que tenha lido o livro todo, não deu pra sentir simpatia pelos protagonistas. Well, talvez uma protagonista, a vilã-mor da história, tenha caído nas minhas graças. Mas só. Deu a impressão que esse livro é apenas mais um na série - o que é verdade - e disso eu não gosto.

Lido em sueco.

O segundo volume da trilogia de Stieg Larsson me decepcionou. Quer dizer, começou bem porque o livro é dominado pela heroína Lisbeth Salander (desde quando uma heroína pode-se chamar Lisbeth?), mas no geral me decepcionou muito. O autor aumenta o número de personagens, coloca intrigas policiais, gangsters internacionais e até um famoso boxeador sueco que existe na vida real. Mas nem por isso o estilo muda. Todos se expressam da mesma forma, com o mesmo tipo de palavras e expressões. Tudo é “på tok för mycket” etc. Achei tudo muito forçado, sem inspiração. O livro tem mais de 600 páginas mas eu já tinha cansado lá pela página 400. Pulei algumas partes mais repetitivas até chegar ao final, que não é uma surpresa, mas que pega de surpresa, já que os vários personagens criados ao longo da trama simplesmente desaparecem.

Lido em sueco.