“Vackra flickors lott”
April 21, 2007
O que dizer desse livro de Alexander McCall Smith? Em uma palavra: “safe”. Se você quer ou precisa (por razões psicológicas) ler algo completamente inofensivo, que não exija mais do que a compreensão básica da língua e que não te desafie em absolutamente nada (emocionalmente ou intelectualmente), Alexander McCall Smith is your man. O livro é chato porque totalmente sem sal. Mas eu também sabia o que estava fazendo quando o escolhi na estante. Ainda bem que acabou.
Lido em sueco.

"On Beauty"
October 7, 2006
Amei o mais novo livro de Zadie Smith, que já é uma das minhas autoras favoritas. Esse “On Beauty” é a história de duas famílias, os liberais Belsey e os tradicionais Kipps, se encontrando e se desencontrando em uma cidade universitária na região de Boston. Enquanto os personagens são ótimos, a história é menos fácil de se gostar.
O “problema” é que Zadie Smith dá a impressão de não estar com a menor pressa em contar a história. Ela vai desvendando uma coisa aqui, outra ali, devagar. Muito de-va-gar. Lá pelo meio do livro, de mais de 400 páginas, perde-se um pouco a paciência. Não foi a toa que demorei um mês para terminá-lo. Tentei inclusive interromper a leitura, mas como já estava fascinada pelo estilo da escritora inglesa, continuei.
Mas, por favor, não deixe que esse pequeno detalhe tire sua vontade de ler o livro. Acredite, tudo nessa novela é interessante. Zadie Smith faz tudo ficar interessante.
O que eu gosto de Zadie Smith é que ela constrói delicadamente seus personagens e, paralelamente à narrativa, faz comentários sobre política, acontecimentos sociais, e até mesmo observações detalhadas sobre comportamento feminino e masculino. É show de bola. Fico imaginando Zadie Smith calada, interagindo com as pessoas de sua vida como uma observadora fantástica. Quem me dera ter um estilo maravilhoso assim.
Algumas pérolas:
“‘Well’, said Zora, faltering a little. Her contempt for Claire was like a black backing on a mirror, the other side reflected immense personal envy and admiration.” (p. 21
“And were they still like that, she wondered - these new girls, this new generation? Did they still feel one thing and do another? Did they still only want to be wanted? Were they still objects of desire instead of - as Howard might put it - desiring objects? Thinking of the girls sat cross-legged with her in this basement, of Zora in front of her, of the angry girls who shouted theyr poetry from the stage - no, she could see no serious change. Still starving themselves, still reading women’s magazines that explicitly hate women, still cutting themselves with little knives in places they think can’t be seen, still faking their orgasms with men they dislike, still lying to everybody about everything.” (p. 226)
E, finalmente:
“The greatest lie ever told about love is that it sets you free.” (p. 424)
Lido em inglês.




"Não me abandone jamais"
July 5, 2006
O livro de Kazuo Ishiguro é intrigante, mas a sensação que tive ao lê-lo até o final foi que a história não levanta vôo. A idéia é bacana, mas não é nova. Me faz lembrar filmes como “The Island”, com o gostosíssimo Ewan McGregor e a linda Scarlett Johansson. Gosto do Ishiguro de “Remains of the Day”… Esse aqui é apenas razoável.
Lido em português.

"Giraffens tårar"
May 11, 2006
O segundo livro da série de Alexander McCall Smith sobre Mma Ramotswe é pretty much como o primeiro: você sabe que ninguém vai se ferir ou se dar mal (a não ser os personagens ruins que merecem sofrer, claro). É uma leitura segura, sem qualquer angústia. Você sabe que Mma Ramotswe vai se sair bem, que ela terá intuições que salvarão o caso em que está trabalhando e que ela, no final, fará alguém feliz com o que descobriu. “Giraffens tårar”, não é nada maravilhoso, mas também não é ruim. Leitura pra quem não quer sentir nada além do prazer de ler.
Lido em sueco.


"Damernas detektivbyrå"
January 26, 2006
Gostei do primeiro livro da série escrita por Alexander McCall Smith sobre a detetive Mma Ramotswe de Botswana. O livro, no original “No.1 Ladies’ Detective Agency” apresenta a protagonista e seu espírito aberto apesar de muitas tragédias duríssimas em sua vida. Mas o que mais gostei é de saber que a trama vai ter um happy end. Esse não é um livro pra quem busca um thriller, mas pra quem quer ler sobre pessoas simples e felizes debaixo das cobertas num domingo chuvoso de inverno. Esperava mais da trama, que achei um pouco frouxa demais, mas gostei do livro exatamente por ser um exercício sobre a satisfação de se fazer o que se ama.
Lido em sueco. 



"Vägen hem"
November 8, 2005
O ministério de saúde mental adverte: Rosamunde Pilcher faz mal à saúde. Nossasenhoradaparecida, que livro mais CHAAAAAAAAAAAAAAAAATO. Das mais de 500 páginas não consegui passar da de número 94, e isso porque sou insistente. Não sei nem o que dizer, a não ser que esse livro é uma versão “nobre” dos romances Julia de banca de jornal, os quais, aliás, eu prefiro a isso aqui. Blé.
Lido em sueco.
"Kärlekens raseri"
November 5, 2005
Esse foi meu primeiro Ian McEwan e, com certeza, não será o último. O título original, em inglês, é “Enduring Love” e é bem melhor do que o sueco, “O ódio do amor”. Joe e Clarissa se amam, até um dia que um evento trágico muda completamente suas vidas. Os ingredientes dessa história são obsessão, desconfiança, amor e loucura. Mas, o que mais me impressionou é que durante o livro inteirinho não se sabe quem é o doido da história, tudo graças ao estilo do autor. Uma frase muda tudo, ou dá uma pista da verdade - ou da mentira fantasiada de verdade. Quem me dera poder escrever como Ian McEwan. Livraço.
Lido em sueco.




"The God of Small Things"
September 28, 2005
Comecei a ler o livro de Arundhati Roy esperando encontrar uma versão indo-britânica da Isabel Allende; uma contadora de histórias envolvente e fluída. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com o estilo caracolístico da autora. Explico: ela escreve maravilhosamente bem, porém sem qualquer respeito por linha de tempo ou de acontecimentos. Parece que tudo acontece ao mesmo tempo, a vida de seus protagonistas quando eram criancas se passa paralelamente à vida adulta. Tudo parece acontecer simultaneamente (com muuuitos adjetivos em todas as frases), o que pode representar dificuldades pra quem se acostumou a narrativas mais linerares e diretas. É preciso aprender a gostar da linguagem multicolorida e aparentemente desordenada de Roy, seguir em frente com fé, sacolejar na estrada sem perder a confianca, porque no final (no meio, no início?) tudo faz sentido. E aí, você percebe a história incrivelmente triste que acabou de ler.
Lido em inglês.



"Brick Lane"
May 5, 2005
Monica Ali escreveu um livro bacanérrimo. Interessante, ainda mais nesses tempos de terror em Londres, complicado, humano. Nazneen, de Bangladesh, vem morar num subúrbio londrino casada com um homem eternamente frustrado (porque constantemente iludido). É tocante perceber que o desejo constante de “voltar pra casa” é universal, não apenas meu. Bom, voltando ao livro: Nazneen acaba crescendo como mulher, mãe e gente durante o livro. Bem legal, porém um pouco longo.
Lido em inglês.


"Flicka med pärlörhänge"
December 27, 2004
Tracy Chevalier romantiza a vida da mocinha pintada por Vermeer em um de seus quadros mais famosos - e bonitos - “Girl With A Pearl Earring”. Griet, filha do criador de azuleijos da pequena cidade de Delft, na Holanda do século XVII, se torna empregada na casa do pintor, onde de ajudante vira objeto de desejo. Bacana, ainda mais quando Chevalier conta os métodos de pintura daquela época. Vi uma entrevista dela na TV e fiquei encantada com o conhecimento dela sobre a técnica de mestres como Vermeer. Legal. Presente da Marcinha.
Lido em sueco.


Esta página nasceu da minha vontade de fazer uma lista dos livros que li, com pequenos comentários e cotações. Nada pretencioso. Minha intenção é me divertir. Fique a vontade para comentar os livros, os meus próprios comentários e até para enviar dicas de leituras, mas por favor observe o bom senso e seja educado. Não precisa ser gênio pra escrever aqui, basta não ser idiota. - Maria Fabriani (livroslivroslivros (at) gmail.com)

