“Hitta hem”
December 26, 2007
A antologia organizada por Sofia Lindström e Astrid Trotzig é composta por 22 textos escritos por pessoas que fazem parte da primeira geração de adultos suecos adotados da Coréia do Sul. Eu não sabia, mas adoção internacional é uma ocorrência naturalíssima nesse país, cuja sociedade funciona segundo estruturas hierárquicas muito rígidas. São mais de 150 mil as crianças adotadas advindas da Coréia do Sul e espalhadas pelo mundo. A maioria foi pros EUA, nove mil vieram para a Suécia, outras tantas foram parar em diversos países europeus, Austrália e Nova Zelândia. O livro é interessante, mas, claro, os textos não têm todos a mesma qualidade. O texto mais redondo, com mais punch, é o de Inger Stenström, “Flickan med tigrarna” (”A menina com os tigres”). O mais emocional (que me levou às lágrimas) é o de Peter Persman, “Resan till helheten” (”A viagem até a completude”). O mais triste e nervoso, o de Johan Julius, “Ett gammalt barns betraktelser” (”Considerações de uma criança velha”).
Lido em sueco.



“Diving Bell And The Butterfly”
November 7, 2007
Difícil escrever alguma coisa sobre o livro de Jean-Dominique Bauby. É que ao mesmo tempo em que a obra é fácil de se ler e razoavelmente interessante, há sempre uma tristeza por trás de cada parágrafo. O livro é, como o subtítulo mostra, uma “memoir of life in death”. Bauby era editor-chefe da Elle francesa quando sofreu um derrame tão arrasador que se viu vítima da Locked-in syndrome, em que a pessoa fica, lúcida, presa num corpo inerte. Terrível destino. O livro é um adieu com pouco mais de cem páginas. Até porque, Bauby morreu dois dias depois da publicação na França.
Lido em inglês.


“Den osynliga väggen”
July 20, 2007
O livro de Harry Bernstein é um dos piores que eu já li na minha vida. Não que seja mal escrito, o problema é que é chato de-ma-is. Conta a história de sua família numa rua em Lancashire, Inglaterra, onde de um lado moravam judeus e do outro cristãos. Muita discriminação, raiva, ódio racial e muita pobreza, tanto material quanto de espírito. Li até o meio e não aguentei mais. Esse livro precisaria ter sido melhor editado. Horrível!
Lido em sueco.
"Pianisten"
July 6, 2007
Livro escrito por Wladyslaw Szpilman, músico judeu polonês que sobreviveu a segunda guerra mundial. Foi esse o livro em que o filme do mesmo nome se baseou. Vi o filme quando foi lançado e gostei muito, apesar da história terrível. O livro é ainda melhor - ou pior. Wladyslaw Szpilman escreveu o livro logo depois do final da guerra, em 1946, e parece totalmente intocado pelos horrores que passou e viu. A narração é seca, informativa, descritiva. Ele conta a morte de gente amada e não analisa nada. Com certeza por conta do choque. Devorei as 237 páginas. O livro tem também um diário do oficial alemão que ajudou Szpilman no final da guerra, mas que morreu nas mãos dos soldados russos. Impressionante.
Lido em sueco.



"Mig äger ingen"
May 26, 2007
O livro de Åsa Linderborg é uma autobiografia escrita depois da morte do pai, Leif. A obra conta a história dos dois e de como ele tomou conta dela depois que a mãe se separou do pai quando Åsa tinha quatro anos. Só que Leif, que nunca se recuperou da separação, era alcoolista.
Agora você pode pensar que o livro é simples e direto. Tipo “história-triste-de-menina-com-pai-alcoolista”. A diferença é que Åsa Linderborg conta a história dos dois com um enorme afeto pelo pai. A generosidade não diminuiu mesmo depois de ele ter começado a beber tão intensamente que parou de pagar o aluguel e quando ela, na sua adolescência, resolveu ir morar com a mãe (com quem sempre manteve contato) porque doia demais ver a decadência dele.
Åsa Linderborg é jornalista de cultura de um dos jornais mais vendidos da Suécia. Além de contar sua história familiar, Linderborg descreve a história das classes suecas. Os trabalhadores, os intelectuais, os políticos. Tudo isso visto por intermédio de um pai trabalhador e de uma menina que cada vez mais se parece e pensa como a mãe, uma intelectual comunista. Mas o mais impressionante: não há ódio no livro. Há, sim, claro, raiva adolescente de um pai tão amado mas que é incapaz de resolver sua vida de forma diferente, sem o álcool. Há raiva, não ressentimento. Não há egoismo, do tipo “olha o que você fez comigo”.
O livro é um banho de generosidade e de capacidade de enxergar os limites alheios, mesmo as limitações daqueles que crescemos considerando os seres mais perfeitos do planeta. Chorei quando acabei de ler. Vale muito a pena.
Lido em sueco.




"En berättelse om kärlek och mörker"
February 27, 2006
Adorei esse livro de Amos Oz, cujo título original é “Tale Of Love And Darkness”. É uma espécie de autobiografia do escritor israelense, que é uma presença constante na lista dos possíveis premiados pelo prêmio Nobel de literatura. Na verdade, de autobiografia esse livro de muito pouco. É mais a história dos antepassados do escritor, as histórias paralelas, bisavós, avós, e, claro, pais. Não conto nada porque o livro é emocionante. O interessante é que a história da infância de Amos Oz é paralela ao nascimento do estado israelense. E, sendo Amos Oz uma voz equilibrada, ganha-se momentos de reflexão lindos de um israelense plenamente consciente da necessidade da paz mútua entre dois povos imersos em guerra.
Lido em sueco.




"Det är svårt att sjunga med kluven tunga"
September 6, 2005
Lars-Göran Selander descreve como se recuperou de sua doença mental. Li para o curso de psiquiatria da universidade. Teremos que discutir o livro num seminário valendo nota. Gostei muito do livro, que é daqueles confessionais. Uma hora lá, quando Selander descreve a morte da mãe (o início de seus problemas mentais), chorei pra caramba. É interessante ler sobre a volta à vida “normal” de uma pessoa com dificuldades mentais (emocionais etc). Interessante para mim, como “nova-sueca”, é reparar como o seguro social cobre, pelo menos no caso de Selander, psicoterapia durante 14 anos. Isso sim é que é Primeiro Mundo.
Lido em sueco.



"Minhas histórias dos outros"
August 18, 2005
Devorei esse do Zuenir Ventura, que ganhei de presente de aniversário do meu pai. O jornalista conta de suas experiências no Brasil dos anos 50 aos dias atuais, fazendo referência a apenas alguns pontos chaves da história, que ele, Zuenir, teve experiência de primeira-mão. Estão lá relatos sobre Glauber Rocha, a distenção da ditadura e a tanga do Gabeira, o suicídio do Pedro Nava, os problemas de Zuenir com seus gravadores e, por fim, capítulos interessantérrimos sobre João Moreira Salles e Marcinho VP e ainda Genésio, a testemunha do assassinato de Chico Mendes que acabou sendo “adotado” pela família Ventura. Muito legal!!!!!
Lido em português.




"Cazuza: só as mães são felizes"
June 14, 2005
Lucinha Araújo e Regina Echeverria escrevem um livro muito pessoal, sem qualquer problema em criticar quem “ousou” não ajudar Cazuza em sua fase doente. Li o livro inteiro em um dia, numa urgência de saber como Lucinha Araújo passou pela loucura de perder seu filho único para a AIDS. Eu já sabia o resultado, mas ainda assim li o livro à jato, impulsionada pela história escrita urgentemente - tão urgente quanto a vida que Cazuza viveu. Tudo tinha que ser o mais intenso possível, o mais desafiador, o mais transgressor. Presente da Grace.
Lido em português.


"I ensamhetens labyrint"
May 20, 2004
Mauricio Rojas veio pra Suécia nos anos 80, como refugiado político chileno. Já aqui, estudou, virou empresário e político. Não gosto dele pessoalmente (já vi muitas entrevistas dele na TV e nos jornais), até porque ele é direitista, mas não posso negar que quando li esse livro, me identifiquei da primeira à última página. Todas as angústias, as faltas de entendimentos, os clashes between cultures and people, tudo, está lá, de forma bem pessoal, o que é um ponto positivo. Bem explicado, baseado em competente análise teórica. Muito legal. Já li muitas vezes esse livro e funciono até como “debatedora” junto com uma ex-professora da universidade, quando os alunos dela lêem Rojas.
Lido em sueco.




Esta página nasceu da minha vontade de fazer uma lista dos livros que li, com pequenos comentários e cotações. Nada pretencioso. Minha intenção é me divertir. Fique a vontade para comentar os livros, os meus próprios comentários e até para enviar dicas de leituras, mas por favor observe o bom senso e seja educado. Não precisa ser gênio pra escrever aqui, basta não ser idiota. - Maria Fabriani (livroslivroslivros (at) gmail.com)

